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Capítulo 3 – Entre Ruínas e Horizontes

O Silêncio Depois da Tempestade

O dia amanheceu com um silêncio quase incômodo. Depois de semanas intensas, de notícias que mudaram tudo e de noites mal dormidas, a casa parecia estranhamente calma. Mas não era uma paz serena — era o vazio que fica depois que uma tempestade leva tudo embora.

A protagonista sentia-se como alguém que andou por um campo devastado: ainda havia destroços emocionais por todos os lados, e cada passo exigia cuidado. Mas, ao mesmo tempo, havia um sussurro interno dizendo que era hora de olhar para frente, mesmo que fosse apenas um passo de cada vez.

Entre o Que Foi e o Que Será

Enquanto tomava café, ela percebeu como a mente insistia em visitar o passado. As lembranças vinham como ondas — ora suaves, ora violentas. Havia um misto de saudade e alívio, como se parte dela quisesse voltar e outra parte implorasse para seguir.

Foi nesse momento que entendeu: não se tratava de apagar o que aconteceu, mas de aprender a conviver com a nova realidade. A vida não seria como antes, mas talvez pudesse ser diferente de uma forma boa.

Pequenas Vitórias

No meio da tarde, decidiu arrumar a sala. Um gesto simples, quase automático, mas que carregava simbolismo. Organizar o espaço ao redor era também uma tentativa de reorganizar o espaço dentro de si.

Cada objeto recolocado no lugar era um lembrete de que, mesmo depois de tudo, ainda havia coisas sob seu controle. Pequenas vitórias como essa se tornavam combustível para continuar. E ela sabia que, pouco a pouco, seriam essas pequenas ações que abririam espaço para novos capítulos.

Um Horizonte Possível

Ao entardecer, caminhou até o mirante da cidade. Lá do alto, o cenário era quase o mesmo de antes de tudo mudar: ruas, casas, árvores e pessoas indo e vindo. E isso a fez pensar — mesmo quando o mundo pessoal parece ter virado do avesso, o mundo lá fora continua girando.

Essa constatação trouxe um alívio inesperado. Se a vida não para, talvez ela também pudesse aprender a não parar. Talvez fosse possível reconstruir, encontrar novos caminhos e, quem sabe, até sorrir de novo.

A Decisão de Continuar

De volta para casa, antes de dormir, olhou-se no espelho e disse em voz baixa: “Eu vou conseguir.” Não era apenas uma frase de encorajamento — era uma promessa para si mesma. A tempestade tinha passado, e agora cabia a ela decidir o que fazer com o terreno que restou.

O mundo havia virado do avesso, mas, aos poucos, ela estava encontrando um jeito de se firmar de novo, transformando ruínas em horizontes.

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