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O Sangue no Mediterrâneo: Fuga em Alto-Mar

O iate Volkov’s Pride era uma fortaleza flutuante de oitenta pés, um palácio de fibra de carbono e madeira nobre que cortava as águas cristalinas entre a Sardenha e a Córsega. Para Isabella Volkov, a lua de mel parecia um sonho tingido de azul e dourado. Durante cinco dias, o mundo exterior — com seus contratos de sangue e guerras de território — foi substituído pelo toque constante de Damian.

Eles estavam sozinhos no convés superior, o sol poente transformando o mar em ouro líquido. Damian, relaxado como Isabella raramente o via, servia duas taças de um vinho branco gelado. Ele estava sem camisa, e a luz destacava cada músculo e cada cicatriz de seu torso.

— Você está muito silencioso — Isabella observou, aproximando-se e passando os braços pela cintura dele.

— Estou apenas decorando o momento — ele murmurou, beijando o topo da cabeça dela. — No nosso mundo, a paz é uma mercadoria cara. Quero ter certeza de que paguei por cada segundo.

O momento de paz foi estraçalhado por um som que Isabella conhecia bem: o assobio agudo de um projétil cortando o ar, seguido por uma explosão ensurdecedora na popa do iate.

Capítulo 13: O Rugido da Traição

O impacto jogou os dois contra a amurada. Antes que Isabella pudesse entender o que estava acontecendo, Damian já estava de pé, puxando uma pistola Glock que ele mantinha escondida sob uma mesa de apoio. No horizonte, três lanchas rápidas e pretas surgiam da névoa do crepúsculo, aproximando-se em formação de ataque.

— Moretti — cuspiu Damian, os olhos azuis voltando a ser lâminas de gelo. — Ele não esperou nem a lua de mel acabar.

— Damian, o motor da popa! — Isabella gritou, apontando para a fumaça negra que subia. Como especialista, ela sentia a vibração errada no casco. O iate estava perdendo potência.

Uma rajada de metralhadora varreu o convés superior, estilhaçando as taças de cristal. Damian empurrou Isabella para trás de uma proteção de aço reforçado.

— Vá para a cabine de comando! Agora! — ele ordenou, disparando contra a lancha mais próxima.

— E você?

— Eu vou dar a eles um motivo para manterem a distância. Vá!

Isabella correu, o coração batendo como um motor desregulado. Ela ouviu o som de metal atingindo metal e o grito de dor de Damian. Ela parou e olhou para trás. Damian estava caído, a mão pressionando o ombro esquerdo, onde o sangue começava a manchar o convés de teca. Ele continuava atirando com a mão direita, mas o rosto estava pálido.

— Damian! — Ela correu de volta, ignorando as balas que zuniam ao redor.

— Isabella, saia daqui! — ele rugiu, mas a voz falhou quando ele tentou se levantar.

Ela não obedeceu. Com a força que só a adrenalina proporciona, ela o puxou para dentro do corredor blindado que levava à cabine. O sangue dele agora manchava o vestido branco dela, um contraste brutal.

Capítulo 14: A Piloto do Imperador

Na cabine de comando, os painéis digitais piscavam em vermelho. “Falha no motor 2”. “Pressão de óleo crítica”. O iate estava à deriva, e as lanchas dos Moretti estavam a menos de duzentos metros, preparando-se para a abordagem.

Isabella colocou Damian sentado no chão da cabine. Ele estava perdendo muito sangue, a respiração curta. — Eles vão subir a bordo, Bella… — ele tossiu, tentando recarregar a arma. — Pegue o rádio… chame o reforço…

— Não vai dar tempo — ela disse, seus olhos focados nos controles. Ela não era mais a noiva protegida; ela era a mulher que entendia de cavalos de potência melhor do que qualquer homem naquela costa. — Damian, confie em mim.

Ela assumiu o leme. Seus dedos voaram pelos interruptores, ignorando os alarmes. Ela sabia que o motor 2 estava morto, mas o motor 1 ainda tinha vida. Ela precisava de um arranque de torque que o iate não fora desenhado para fazer.

— O que você está fazendo? — Damian perguntou, a visão começando a nublar.

— Vou usar o diferencial de empuxo. Se eu sobrecarregar a turbina esquerda, posso fazer esse monstro girar em um ângulo que eles não esperam.

Ela acelerou tudo. O iate rangeu, inclinando-se perigosamente para bombordo. As lanchas inimigas, esperando que o alvo continuasse reto, foram pegas de surpresa quando a imensa proa do Volkov’s Pride girou como uma navalha, colidindo lateralmente com a primeira lancha e esmagando-a contra as ondas.

Isabella não parou. Ela manobrou o iate em um zigue-zague frenético, usando o conhecimento de hidrodinâmica para criar uma esteira de ondas que desestabilizava os perseguidores.

— Pegue a submetralhadora no compartimento sob o painel — ela gritou para Damian. — Se eles chegarem perto, você atira. Eu vou nos tirar dessa zona de tiro.

Damian, mesmo ferido, sentiu uma onda de orgulho absoluto. Ele viu sua esposa pilotar aquela fortaleza ferida com a mesma frieza com que ele comandava seu império. Ele forçou o corpo a se erguer, apoiando-se no painel, e começou a disparar contra os motores das lanchas restantes.

Isabella encontrou um canal estreito entre dois rochedos que apenas barcos menores ousariam atravessar. — Segure-se, Damian!

Ela jogou o iate no canal. O som do casco raspando nas rochas era aterrorizante, mas Isabella manteve o curso firme. As lanchas rivais, temendo o naufrágio nas pedras, reduziram a velocidade. Quando o iate saiu do outro lado, em mar aberto e com o motor reserva gritando, a equipe de segurança de Damian, alertada pelo sinal de emergência, surgiu no horizonte com helicópteros e barcos de assalto.

Capítulo 15: O Selo do Resgate

Vinte minutos depois, o iate foi cercado por aliados. Médicos subiram a bordo imediatamente. Damian estava deitado em uma maca, recebendo os primeiros socorros, mas ele se recusava a deixar que o levassem antes de falar com ela.

Isabella estava de pé ao lado do leme, as mãos ainda trêmulas, o vestido de noiva arruinado por sangue e graxa. Ela parecia uma deusa da guerra.

Damian segurou a mão dela, puxando-a para perto. — Eu disse que protegeria você do mundo, Isabella — ele sussurrou, a voz fraca, mas carregada de uma adoração renovada. — Mas hoje, você protegeu o mundo de me perder.

— Eu não ia deixar ninguém levar o meu marido — ela respondeu, beijando a palma da mão dele. — Especialmente não um amador como o Moretti.

Damian sorriu, uma promessa sombria brilhando em seus olhos. — Moretti assinou a própria sentença de morte hoje. Mas antes de eu acabar com ele… eu quero que você saiba. Você não é apenas a minha esposa, Isabella. Você é o meu General.

O sol finalmente se pôs, e o iate, embora ferido, continuava navegando sob o comando da mulher que provara que seu valor não estava na beleza, mas no aço que carregava na alma. A lua de mel acabara, mas o reinado dos Volkov estava apenas começando, mais forte e mais letal do que nunca.

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