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Capítulo 5 – Quando Não Há Mais Como Voltar

Entre o dever e o amor, uma decisão precisa ser tomada

A noite havia caído novamente sobre o quartel.

Mas aquela noite era diferente.

Uma tempestade se formou no céu, e relâmpagos iluminaram o horizonte distante. O vento forte sacudia as árvores do pátio militar, e o clima parecia relembrar exatamente o que acontecia dentro de duas pessoas naquele lugar.

A tenente Helena Duarte caminhava pelo corredor com passos firmes.

Mas por dentro… seu coração estava longe de estar calmo.

Ela não tinha conseguido dormir.

Desde uma conversa no gabinete.

Desde o momento em que o general havia pronunciado seu nome de forma diferente.

Helena.

Não “tenente”.

Não “Duarte”.

Apenas Helena.

Ela sabia que aquilo tinha algo.

E talvez fosse exatamente por isso que estava indo até lá novamente.

Até o gabinete do General Augusto Valença .

Mesmo sabendo que aquilo poderia mudar tudo.

Para sempre.

Ela parou diante da porta.

Respirou fundo.

E bateu.

— Entre.

A voz dele parecia mais cansada do que o normal.

Helena abriu a porta lentamente.

O gabinete estava iluminado apenas por um abajur sobre uma mesa.

O general estava em pé perto da janela, observando a chuva que começava a cair lá fora.

Ele virou o rosto quando encontrou a porta.

E por um instante… os dois apenas se olharam.

Nenhum deles esperava realmente aquele encontro.

Mas ambos sabiam que ele estava acontecendo.

— Tenente Duarte — disse ele, com a voz baixa.

Helena caminhou até o centro da sala.

— Senhor.

O silêncio foi instalado novamente.

Mas dessa vez era diferente.

Mais intenso.

Mais definitivo.

— Já é tarde — disse o general.

— Eu sei.

— cômoda por que cômoda?

Helena respirou fundo.

— Porque o senhor estava certo.

Ele franziu a testa.

— Sobre o quê?

— Isso precisa parar.

O general a olhou atentamente.

Tentando entender se havia algo por trás daquelas palavras.

— E você me veio dizer isso agora?

— Sim.

Outro silêncio.

A chuva começou a bater mais forte nas janelas.

— Eu pensei muito — continua Helena. — O senhor tem razão. Regras existem por um motivo.

Ele cruzou os braços.

— E chegou a essa conclusão em privacidade?

Ela assentiu.

— Cheguei.

O geral acomoda imóvel por alguns segundos.

Mas algo no olhar dele parecia… decepcionado.

— Então essa conversa é apenas profissional.

Helena demorou um segundo para responder.

— Sim, senhor.

Ele caminhou lentamente até a mesa.

Pegou um documento qualquer, apenas para ocupar as mãos.

— Nesse caso, a decisão é simples.

Helena sentiu o coração apertado.

— Sim.

— A partir de amanhã, você será detalhado.

O mundo pareceu parar por um segundo.

— Transferida?

— Para outra unidade.

Ela tentou manter uma postura firme.

Mas sua voz saiu mais baixa.

— Entendo.

O geral evitou olhar diretamente para ela.

— É a melhor solução.

— Para quem?

Ele finalmente declarou os olhos.

— Para nós dois.

Helena ficou em silêncio.

A tempestade lá fora parecia cada vez mais forte.

— Quando eu cheguei aqui — disse ela finalmente — eu acreditei que o senhor era impossível de ler.

Ele respondeu com Freeza Controlado.

— Isso continua sendo verdade.

— Não.

Ela deu um passo à frente.

— Agora eu entendo o senhor.

Ele franziu a testa.

— Entende?

— O senhor foge das coisas que realmente importam.

A frase ficou pesada no ar.

— Cuidado com o que diz, tenente.

— Não estou desrespeitando o senhor.

Ela se reserva mais.

Agora estavam novamente frente a frente.

Como tantas outras vezes.

— Estou apenas dizendo a verdade.

O olhar do general endureceu.

— A verdade é que isso nunca poderia acontecer.

— Talvez.

— Cêntrico?

— Mas aconteceu.

O silêncio entre os dois tornou-se quase insuportável.

— Não — disse ele. — Não aconteceu.

Helena sustentou o olhar dele.

— O senhor sabe o que aconteceu.

Ele respirou fundo.

Passou a mão pelos cabelos.

— Você não entende.

— Então me explique.

Ele finalmente explodiu.

— Porque eu não posso destruir sua carreira!

A frase ecoou pela sala.

Helena ficou surpresa.

— Minha carreira?

— Você é um dos melhores oficiais que já vi.

Ele caminhava pelo gabinete agora.

Tenso.

— Você tem futuro. Liderança. Inteligência. Disciplina.

Ele parou diante dela.

— Eu não vou ser o motivo de você perder tudo isso.

Helena o observava com calma.

— O senhor acha que eu estou fracassando assim?

Ele ficou em silêncio.

— Eu escolho minhas batalhas, general.

— E essa é uma batalha perdida.

Ela deu um passo à frente.

Agora estávamos muito próximos.

— O senhor tem tanto medo assim do que sente?

A pergunta feita diretamente.

Ele ficou imóvel.

— Responda — disse ela.

— Isso não é medo.

— ?

O geral demorou alguns segundos.

Então respondi em voz baixa.

— É responsabilidade.

Helena mudou o rosto do dele.

— Às vezes… responsabilidade também é admitir a verdade.

O olhar dos dois se encontrou.

Mais intenso do que nunca.

— E qual seria essa verdade? — Disse ele.

Helena respondeu sem hesitação.

— Que nós dois já cruzamos essa linha faz tempo.

A tempestade parecia rugir lá fora.

O general fechou os olhos por um segundo.

Como se estivesse tomando a decisão mais difícil da vida.

Quando abri novamente… algo havia mudado.

Ele segurou o rosto dela com cuidado.

O mesmo gesto que havia sido interrompido antes.

Mas dessa vez… ele não parou.

— Helena…

Ela não se.

– Em geral…

Mas antes que qualquer outra palavra fosse dita…

Ele a beijou.

Um beijo intenso.

Profundo.

Como se todo o controle que ele havia contido por semanas finalmente tivesse se quebrado.

Helena garantiu o uniforme dele.

Como se também estivesse esperando aquele momento há muito tempo.

O mundo lá fora deixou de existir.

Uma tempestade.

O quarto.

Conforme as regras.

Tudo isso por alguns segundos.

Quando finalmente se salvaram, os dois estavam sem fôlego.

O general passou a mão pelos cabelos.

— Isso foi uma ideia péssima.

Helena qual.

— Talvez.

Ele a observar.

— Você se em?

Ela responde imediatamente.

— Não.

O silêncio.

Mas agora era diferente.

Mais calmo.

Mais verdadeiro.

— Então vamos ter que lidar com as consequências — disse ele.

— Eu sei.

Ele segurou a mão dela.

— Mas não sozinho.

Helena apertou a mão dele.

— Nunca.

Lá fora, a tempestade começou a diminuir.

E pela primeira vez desde que tudo começou…

O general Augusto Valença não parecia estar lutando contra o que sentia.

Talvez porque finalmente tenha aceitado algo que já foi resultado.

Algumas batalhas…

Não são feitos para serem vencidos.

São feitos para serem vividos.

E…

Era apenas o começo da história deles.

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