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Capítulo 3 – Entre Feridas e Desejo

amar também

O beijo ainda queimava.

Não era apenas lembrança.

Era.

Helena estava parada no meio do quarto, com as mãos tremendamente levemente, tentando entender o que tinha acabado de acontecer na noite anterior. Não foi apenas um beijo… foi uma invasão. Um tipo de intensidade que ela nunca permitiu sentir.

E o pior?

Ela não quer.

— Isso tá errado… — murmurou, passando a mão pelos lábios.

Mas seu corpo não concordava.

Do lado de fora, o dia amanhecia pesado.

O céu estava nublado, como se a própria fazenda sentisse o que estava prestes a acontecer.

Ricardo já estava de pé desde cedo, montado no cavalo, percorrendo a propriedade com o olhar atento. Mas não era o trabalho que ocupava sua mente.

Era Helena.

Sempre ela.

A forma como ela reagiu ao beijo… não foi destruída.

Mas também não foi entregue.

E aquilo estava enlouquecendo.

— Decide, Helena… — ele falou baixo, irritado consigo mesmo — Porque eu já não consigo mais voltar atrás.

Quando Helena desceu para o café, encontrou Ricardo já dentro da casa.

O clima mudou instantaneamente.

Pesado.

Carregado.

Perigoso.

Eles se olharam.

E tudo voltou.

O toque.

Uma respiração.

O beijo.

— Dormiu bem? — ele disse, a voz baixa, controlada.

— Melhor que você, pelo visto.

A resposta veio.

Era defesa.

Era ataque.

Era medo educado.

Ricardo soltou um leve sorriso de canto.

— Você sempre responde assim?

— Só quando tentei mandar em mim.

O olhar dele limpo.

— Eu não “tento”.

Ela o.

— Pois deve começar a tentar menos.

Uma tensão explosiva.

— Você acha que isso é brincadeira? — ele avançou um passo — Você sai no meio da noite, se coloca em perigo, me provoca…

— Eu não te devo satisfação!

— Deve, sim!

— Não devo!

As vozes.

O ar ficou denso.

E o que era atração… virou confronto.

— Você acha que pode chegar aqui e controlar tudo?! — Helena disparou — Isso não é só sua fazenda!

— Enquanto você estiver aqui, siga minhas regras!

— Então talvez eu não deva estar!

Silêncio.

Pesado.

Cortante.

Ricardo trabalhou.

Os pops.

— Repita isso.

— Eu disse que talvez eu vá embora.

Ele riu.

Mas não foi um riso leve.

Foi frio.

Perigoso.

— Você não vai.

— E quem vai me …?

Ele se esconde lentamente.

– UE.Helena sentiu o coração disparar.

Mas não todo.

— Você não manda na minha vida.

— Não?

Ele parou a centímetros dela.

— Então por que você não consegue ficar longe de mim?

Aquilo ficou direto.

Ela tentou responder.

Mas não conseguiu.

E ele pensou.

— É isso que te irrita, não é? — Ricardo contínuo — Você sente… e não consegue controlar.

— Eu controlo muito bem!

— Não controla.

Ele sente o rosto.

— Seu corpo diz outra coisa.

Ela empurrou ele.

Com força.

— Para com isso!

— Como é que? Como é verdade?

— Com esse jogo doentio!

O olhar dele mudou.

— Doentio?

— Sim!

A voz dela tremeu.

— Isso que tá acontecendo… não é normal.

O silêncio caiu.

E dessa vez… diferente.

Mais profundo.

Mais doloroso.

— Então por que você não para? — ele disse, mais baixo.

Ela fechou os olhos por um segundo.

Porque sabia a resposta.

Mas não queria dizer.

— Porque você não deixa — ela respondeu, finalmente.

Aquilo acendeu algo nele.

Algo intenso.

Quase perigoso.

— Eu não deixo… ou você não quer ir?

Helena abriu os.

E a verdade estava ali.

Escancarada.

— Eu odeio isso — ela disse, a voz falhando.

— Eu também.

— Odeio como você me faz sentir.

Ele passou a mão pelo rosto, respirando fundo.

— Você acha que é fácil pra mim?

A tensão virou outra coisa.

Confisco.

Crua.

Sem proteção.

— Eu nunca fui assim — ele disse — Nunca perdi o controle por ninguém.

Ela engoliu seco.

— espaçamento por que comigo?

Ele olhou direto nos olhos dela.

— Eu queria saber.

O silêncio entre os dois agora era carregado de algo mais profundo.

Algo que doía.

Porque era real.

Mas Helena te.

— Isso não muda nada.

— Muda tudo.

— Não muda!

Ela se separar mais.

— A gente nem confia um no outro!

— Isso não impede nada.

— Impedir, sim!

Ela virou de costas.

Mas ele segurou o braço dela.

De novo.

Firme.

— Para de fugir.

— Eu solto.

— Não.

O tom dele ficou mais duro.

— A gente vai resolver isso.

Ela se virou, com raiva.

— Resolver como? Brigando? Está ofendendo? Se puxando desse jeito?!

— Ou se beijando.

O silêncio veio.

Pesado.

Ela respirou fundo.

— Isso é loucura.

— Eu sei.

— Isso vai acabar mal.

— então para!

Ele chegou mais perto.

— Você quer que eu pare?

A pergunta ficou no ar.

Helena hesitou.

E dois segundos…

Foi tudo.

— Eu… — ela começou.

Mas não termina.

Porque ele já tinha entendido.

Ricardo tirou ela pela cintura.

De novo.

Mas agora…

Sem roubo.

Sem força bruta.

Só que batida.

— Você não quer que eu pare — ele disse baixo.

O coração dela batia forte demais.

— Isso não significa que seja certo.

— Desde quando a gente está fazendo o certo?

Ela tentou resistir.

Mas não conseguiu.

Porque a verdade era uma só:

Ela também estava presa nisso.

— Você é impossível — ela sussurrou.

— E você é pior.

— Por quê?

Ele moveu os lábios do ouvido dela.

— Porque sabe disso… e continua aqui.

O corpo dela arrepiou.

E então…

Toda a raiva virou outra coisa.

Ele a beijou de novo.

Mas diferente.

Mais intenso.

Mais profundo.

Como se fosse a única coisa que fizesse sentido.

Mas dessa vez…

Helena correspondente.

Sem resistência.

Sem desculpas.

Sem fuga.

O mundo ao redor desapareceu.

Só existia aquele momento.

Aquele caos.

Aquele sentimento perigoso que cresceu sem controle.

Até que—

Um barulho forte do lado de fora.

Os dois se separaram na hora.

A respiração acelerada.

O olhar alerta.

— Você ouviu isso? —Helena perguntou.

— ouvir.

O clima mudou novamente.

E volta o acúmulo.

Ricardo caminhou até a janela.

Olho para fora.

E seu rosto endureceu.

— Tem alguém aqui.

Helena sentiu um frio percorrendo o corpo.

— De novo?

— Não.

Ele preencheu os olhos.

— Dessa vez… mais perto.

O coração dela disparou.

— Quem é?

Ele respondeu, baixo:

— Alguém que sabe exatamente o que está fazendo.

O silêncio.

Mas agora com algo novo.

Desespero.

Helena mergulhou para Ricardo.

— Isso tá saindo do controle.

Ele virou para ela.

E dessa vez… não havia arrogância.

Apenas um parêntese.

— Não.

Ele se segue devagar.

— Agora que começou de verdade.

E um instante…

Ela surgiu.

Não era só o perigo lá fora.

Era o que estava crescendo entre eles.

Algo que misturava amor, raiva, desejo…

É uma obsessão que poderia destruir tudo.

E talvez…

Eles já estão longe demais para voltar.

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