Quando o mundo inteiro assiste… e mesmo assim só existe um
Uma noite caiu diferente na fazenda.
Não havia cheiro de terra molhada ou barulho de animais… mas sim perfume, tecidos finos e uma tensão elegante que parecia anunciar algo grandioso.
Helena parou em frente ao espelho.
O vestido preto moldava seu corpo com perfeição. Longo, sofisticado, com um leve brilho que acompanha cada movimento. Os cabelos loiros caíam em ondas suaves sobre os ombros, e a maquiagem destacava seus olhos claros, agora carregados de algo mais do que beleza.
Expectativa.
E nervosismo.
— Isso é só um baile… — murmurou para si mesma.
Mas não era.
Ela sabia.
Porque ele estaria lá.
Do lado de fora, Ricardo já aguardava.
Impecável.
O terno escuro valorizava sua postura firme, os traços fortes ainda mais marcantes sob a luz suave da varanda. Ele não era um homem de eventos sociais.
Mas noite…
Ele tinha um motivo.
Quando Helena apareceu na porta, o mundo pareceu parar.
Ele não disse nada.
Mas o olhar falou tudo.
Desejo.
Priv.
E algo mais profundo.
— Você está… — ele começou.
Mas parou.
Porque nenhuma palavra parecia suficiente.
Helena sustentou o olhar.
— Eu sei.
Surgiu um leve sorriso.
Provocador.
Mas também… inseguro.
Ricardo se devagar.
Sem pressa.
Como se quisesse sentir cada segundo naquele momento.
— Se alguém olhar demais… — ele disse baixo — vai ter problema.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Ciúmes?
— Não.
Ele inclinou o rosto, próximo ao dela.
— Aviso.
O coração dela disparou.
E ela odiou o quanto aquilo a afetava.
O salão do baile era imenso.
Luzes douradas refletiam nos lustres, mesas elegantes se espalhavam pelo ambiente, e pessoas bem vestidas circulavam com sorrisos e olhares atentos.
Mas quando Ricardo e Helena entraram…
Tudo mudou.
Os olhares se voltam.
Os cochichos iniciaram.
—É ela? — alguém sussurrou.
— Uma administradora…
— E ele nunca trouxe ninguém assim antes…
Helena sín.
Mas mantenha a postura.
Cabeça erguida.
Passo firme.
Ao lado dele.
Ricardo, por outro lado, parecia ainda mais imponente.
A presença dele dominava o ambiente.
Mas não era só isso.
Era o jeito como ele olhava para ela.
Como se ninguém mais existe.
— Está desconfortável? — ele disse.
— Como todo mundo está olhando? Um pouco.
— Se quiser, a gente vai embora.
Ela virou o rosto para ele.
— Não.
Um leve desafio no olhar.
— Eu quero ficar.
O sorriso dele surgiu.
Perigoso.
— Então vamos fazer valer a pena.
A música começou.
Lenta.
Envolvente.
Como um convite.
Ricardo quebrar a mão.
— Dança comigo.
Ela hesitou.
Por um segundo.
Mas colocou a mão na dele.
Quando ele a retirar para perto…
Tudo ao redor saiu.
A mão dele na cintura dela.
Firme.
Segura.
Quente.
A outra aderência a dela com precisão.
E então…
Elesrram a dança.
Helena tentou manter a postura.
Mas era impossível.
Porque Ricardo não apenas dançava.
Ele dominava.
Guia cada movimento com intensidade.
Com controle.
Com.
— Você faz isso de propósito — ela sussurrou.
— O quê?
— Me deixar sem controle.
Ele recuperou mais o corpo.
— Você já chegou assim.
O corpo dela respondeu.
Traidor.
As pessoas ao redor ajudaram.
Mas para eles…
Não existia ninguém.
— estão olhando — ela murmurou.
— Deixa olharem.
— Isso não te incomoda?
Ele inclinou o rosto, quase tocando o dela.
— Eu gosto que vejam.
O coração dela disparou.
— Gosta do quê?
Uma resposta foi comprada.
Quente.
— Que você está comigo.
Aquilo mexeu com ela de um jeito perigoso.
Mais profundo do que deveria.
A música continuava.
E os movimentos ficarão mais próximos.
Mais intensos.
Mais íntimos.
— Você está linda demais — ele disse, quase sem controle.
— E você é impossível.
— Só com você.
Helena tentou desviar o olhar.
Mas ele não deixou.
Segurou o rosto dela.
Ali.
No meio de todos.
Sem medo.
Sem.
— Não foge de mim — ele disse.
— Eu não estou fugindo.
— Ainda não.
O clima mudou.
Ficou mais pesado.
Mais intenso.
Mais perigoso.
Um homem se.
Elegante.
Sorriso calculado.
— Ricardo… não esperava te ver aqui.
O tom era amigável.
Mas o olhar…
Não.
Ricardo não soltou Helena.
Nem por um segundo.
— Não é da sua conta.
O homem riu de leve.
— Sempre direto.
E então, observe para Helena.
— E você deve ser…
Antes que ele termine—
Ricardo respondeu.
— Ela está comigo.
O tom foi firme.
Frio.
Possessivo.
O homem falou as mãos, em falsa interpretação.
— Só estava sendo educado.
Mas o olhar dele demorou mais do que desviou em Helena.
E Ricardo lançou.
A tensão voltou.
Mais forte.
— Vamos sair daqui — Ricardo disse, baixo.
— Por quê?
— Porque eu não gosto daquela cara.
— Você não gosta de ninguém.
— Mas dele… ainda.
Helena respirou fundo.
— Você não pode controlar tudo.
— Eu posso tentar.
— Isso é sufocante.
Ele pariu.
Olho para ela.
E ali…
No meio do salão…
Uma briga voltou.
— Você acha que eu faço isso por controle? — ele disse.
— So é o quê?
— É porque eu não confio em ninguém aqui.
— E em mim?
O silêncio veio.
Pesado.
— Eu estou tentando — ele respondeu.
Mas não foi o suficiente.
Helena entra em mãos.
Se.
— Isso não é saudável, Ricardo.
— E a gente já passou dessa fase faz tempo.
Os olhares ao redor volta.
Mas agora…
Não era admiração.
Era tensão.
— Eu não quero ser mais uma coisa que você tente dominar — ela disse.
— Você não é “mais uma”.
— prova!
A voz dela saiu mais alta do que deveria.
Algumas pessoas olharam.
Ricardo se.
O olhar intenso.
Quase feroz.
— Eu não sei fazer isso de outro jeito.
A saiu.
Crua.
Sem defesa.
Helena sín.
Mas também doeu.
— então aprende.
— E se eu não conseguir?
Ela engoliu seco.
— Então a gente se perde.
O silêncio caiu.
Mais pesado do que nunca.
Mas antes que qualquer um reagisse—
A música mudou.
Mais lenta.
Mais profunda.
E, contra toda lógica…
Ricardo estendeu a mão de novo.
— Última dança.
Helena interessada para ele.
Para aquele homem difícil.
Intenso.
Complicado.
E irresistível.
Ela sabia que aquilo era um erro.
Mas mesmo assim…
Aceitou.
E quando voltei a dançar…
Mais próximo do que antes…
Mais intensos…
Mais…
Ficou claro.
Não era só um baile.
Era um marco.
Porque, naquele salão cheio de gente…
Entre luzes, olhares e segredos…
Nascia algo ainda mais perigoso.
Um amor que ninguém ali seria capaz de impedir.
Nem mesmo eles.

