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Capítulo 5 – Entre Sombras e Verdades

Quando o perigo se aproxima… e o coração não tem mais volta

A volta do baile foi silenciosa.

Pesada.

Diferente de tudo que já tinham vivido.

Dentro do carro, o som do motor era o único ruído entre eles. Nenhum dos dois falou nada. Mas o que existia ali era mais alto que qualquer palavra.

O que aconteceu no salão não ficou lá.

Veio com eles.

E pior… cresceu.

Helena olhava pela janela, vendo as luzes desaparecerem à medida que se afastavam da cidade.

Mas não era o caminho que ocupava sua mente.

Era Ricardo.

A forma como ele a defendeu.

O jeito como a olhou.

E, ao mesmo tempo… como ainda a machucava.

— Você vai continuar assim? — ela quebrou o silêncio.

— Assim como?

— Fechado. Controlando tudo.

Ele apertou o volante.

— Eu não estou controlando.

Ela virou o rosto, encarando ele.

— Então o que você chama aquilo no baile?

O silêncio veio curto, mas pesado.

— Eu estava te protegendo.

— Ou me marcando?

Aquilo atingiu direto.

Ricardo parou o carro de repente, no meio da estrada de terra.

O impacto foi leve.

Mas o clima explodiu.

— Você acha que eu faço isso por ego? — ele disse, virando para ela.

— Eu acho que você não sabe amar sem dominar!

As palavras saíram como um corte.

E dessa vez doeu de verdade.

Ele passou a mão pelo rosto, irritado.

— Você acha que isso é fácil pra mim?

— Não, eu acho que você nem tenta fazer diferente!

— E você? Só sabe fugir!

Helena riu, sem humor.

— Fugir? Eu tô aqui, Ricardo!

— Mas nunca inteira!

O silêncio voltou, cheio de feridas abertas.

— Você quer que eu confie em você — ela disse mais baixa — mas você esconde coisas.

— Eu protejo você.

— Eu não preciso disso!

— Precisa, sim!

A voz dele subiu.

— Você não faz ideia do que está acontecendo nessa fazenda!

O coração dela apertou.

— Então me conta!

Ele travou. Respirou fundo.

— Tem alguém de dentro envolvido.

Helena gelou.

— Eu sabia…

— E não é só roubo.

— Então é o quê?

— É alguém tentando me atingir.

O ar ficou mais pesado.

— Por quê?

— Porque eu tenho inimigos.

— Que tipo de inimigos?

— Gente que não aceita perder.

Helena sentiu um frio na espinha.

— Isso é mais grave do que você falou.

— Por isso eu tentei te manter fora.

— E você achou que isso ia funcionar?

Ela saiu do carro, precisando de ar.

Mas ele foi atrás.

— Você não pode sair assim.

— Eu não posso ficar respirando isso!

Ela se virou.

— Você tá me colocando no meio de algo perigoso!

— Você já está no meio!

O silêncio veio.

Dessa vez… era verdade.

— Então para de me tratar como alguém fraca — ela disse — Porque eu não sou.

— Eu sei que não é!

— Então confia em mim!

Ele se aproximou, mais calmo.

— Eu confio.

— Não confia.

— Confio no que você sente.

Ela travou.

— E isso muda tudo.

O coração dela disparou.

— Você tá misturando tudo de novo.

— Porque tá tudo misturado!

Ele segurou o rosto dela, firme.

— Você não é só parte disso… você virou o centro.

Aquilo a desmontou.

— Isso não pode acontecer assim…

— Já aconteceu.

— Isso pode acabar com a gente.

— Ou pode ser a única coisa que salva.

Ela fechou os olhos.

— Eu tenho medo disso.

— Eu também.

— Medo de perder o controle.

— Eu já perdi.

O silêncio agora era íntimo.

Real.

Então—

Um barulho forte no mato.

Os dois se viraram.

— Você ouviu isso?

— Ouvi.

Ricardo puxou ela para trás.

— Fica aqui.

— Eu não vou ficar parada!

O vento soprou mais forte.

Um vulto passou correndo.

— Ei! — Ricardo gritou, correndo.

Mas a pessoa desapareceu.

Rápido demais.

Ele voltou, tenso.

— Não era funcionário.

— Tem certeza?

— Tenho.

O medo agora era real.

— Isso tá piorando.

— Eu sei.

Ele olhou ao redor.

— E tá cada vez mais perto.

Helena sentiu o corpo gelar.

— Isso significa…

— Que não é mais só sobre mim.

Ele olhou para ela.

— É sobre você também.

O coração dela apertou.

Mas não de medo.

— Então a gente enfrenta isso junto.

Ele travou.

— Você tem certeza?

— Eu não vou fugir.

Ela deu um passo mais perto.

— Não de você.

O olhar dele mudou.

Mais profundo.

— Você vai acabar se machucando.

— Talvez.

Ela segurou a mão dele.

— Mas não sozinha.

Aquilo quebrou algo nele.

Ele puxou ela para perto.

— Você não faz ideia do que tá aceitando.

— Eu faço.

Ela olhou direto nos olhos dele.

— Eu tô aceitando você.

O silêncio veio.

Dessa vez… inevitável.

Ele a beijou.

Mas agora não era só desejo.

Era escolha.

Entrega.

Algo sem volta.

Ao longe…

Nas sombras…

Alguém observava.

E sorria.

Porque agora…

Não era só a fazenda que estava em jogo.

Era o coração deles.

E isso…

Era ainda mais fácil de destruir.

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