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Capítulo 6 – Até o Último Suspiro

Quando amar deixa de ser escolha… e vira destino

A noite estava silenciosa demais.

Não aquele silêncio tranquilo da fazenda, mas um silêncio estranho, pesado, como se algo estivesse prestes a acontecer.

Helena não conseguia dormir.

Sentada na cama, abraçando as pernas, olhava para a porta como se esperasse algo… ou alguém.

Seu coração estava inquieto.

— Tem alguma coisa errada…

E ela estava certa.

Do outro lado da casa, Ricardo também não dormia.

De pé, olhando pela janela, com o olhar tenso, quase selvagem, ele sentia aquele aviso interno.

Instinto.

Perigo.

De repente, um barulho seco ecoou lá fora.

Ricardo reagiu na hora.

— Helena!

Mas ela já vinha pelo corredor.

— Você ouviu?

— Fica atrás de mim.

— Não. A gente vai junto.

Ele hesitou, mas concordou.

Os dois saíram.

O vento estava forte. As árvores agitadas. O escuro parecia mais profundo.

— Veio do galpão — ele disse.

Caminharam devagar, atentos.

Quando chegaram, a porta estava aberta.

— Isso não estava assim…

— Eu sei.

Ricardo entrou primeiro, protegendo.

Lá dentro, tudo estava revirado.

Mas não era só bagunça.

Era mensagem.

— Isso é um recado — Helena disse.

Antes que ele respondesse, um som atrás deles.

Os dois se viraram.

Um homem saiu das sombras.

Rosto coberto.

Olhar frio.

— Finalmente.

Ricardo avançou.

— Quem é você?

— Alguém que você devia ter eliminado quando teve chance.

Helena sentiu o corpo gelar.

— Ricardo…

— Isso é entre nós — ele disse.

— Agora não é mais — o homem respondeu, olhando para ela.

Tudo aconteceu rápido.

O homem avançou.

Ricardo reagiu.

Os dois entraram em luta.

Força contra força.

Raiva contra raiva.

Helena gritou:

— Cuidado!

Ricardo conseguiu derrubar o homem.

— Você perdeu.

O homem riu.

— Ainda não.

Ele puxou uma arma.

— Ricardo!

O disparo ecoou.

Silêncio.

Por um segundo, o mundo parou.

Helena não respirava.

Até ver…

Ricardo de pé na frente dela.

Ele tinha se jogado.

Protegido ela.

— Não…

Ele levou a mão ao peito.

— Você tá bem? — ela perguntou, desesperada.

— Sempre… por você.

O homem tentou fugir, mas foi contido pelos funcionários que chegaram correndo.

Nada daquilo importava.

Helena já estava de joelhos, segurando Ricardo.

— Fica comigo… não faz isso comigo!

— Eu não tô indo…

Mas a voz dele falhava.

— Você não pode me deixar!

As lágrimas caíam sem controle.

— Eu não consigo sem você!

Ele tocou o rosto dela com dificuldade.

— Você consegue… porque é forte.

— Eu não quero ser forte! Eu quero você!

Ele fechou os olhos por um instante, como se sentisse tudo aquilo.

— Então fica comigo…

O tempo parecia parar.

— Eu fiquei a vida inteira sozinho… e quando você chegou… você bagunçou tudo.

Ela chorava.

— E eu não me arrependo.

Ele tentou sorrir.

— Nem eu.

O silêncio ficou frágil.

— Eu te amo — Helena disse — de um jeito que me assusta.

Os olhos dele brilharam.

— Eu te amo também.

O tempo passou devagar.

Mas ele ainda estava ali.

Respirando.

Fraco.

Mas vivo.

— Você não vai embora — ela disse firme — eu não deixo.

As luzes dos carros chegaram.

Ajuda.

Dias depois…

O sol voltava a iluminar a fazenda.

Tudo parecia diferente.

Ricardo estava de pé, ainda em recuperação.

Helena caminhava até ele.

— Você quase me matou do coração.

Ele sorriu.

— Valeu a pena.

— Idiota… nunca mais faz isso.

— Não prometo.

— Então eu mando.

Ele riu.

— Agora você manda?

Ela chegou mais perto.

— Em você… talvez.

O olhar deles se encontrou.

Dessa vez sem medo.

— A gente vai dar um jeito nisso? — ela perguntou.

— Em tudo.

Ele segurou a mão dela.

— Juntos.

O vento soprou leve.

A fazenda parecia respirar de novo.

E ali, entre tudo que quase os destruiu, nasceu algo mais forte.

Um amor que sobreviveu ao perigo, à dor e à própria intensidade.

Um amor que não era perfeito.

Mas era real.

E, para eles, isso bastava.

Porque no fim, amar daquele jeito não era seguro, nem fácil.

Mas era inevitável.

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