Capítulo 4 – A Noite em Que Tudo Mudou
Isabela não teve escolha.
Ou pelo menos… foi isso que tentei dizer a si mesma.
Mas no fundo, bem no fundo, ela sabia.
Ela poderia ter se recusado. Poderia ter ignorado. Poderia ter fechado a porta e fingido que ele não existia.
Mas não fez.
O convite não veio como um pedido.
Veio como uma certeza.
“Hoje à noite. Minha casa. Esteja pronta.
Se não vier… eu vou procurar você.”
Isabela releu o bilhete várias vezes. Ó coração acelerado. As mãos tremem levemente.
— Ele só pode estar achando que manda em mim…
Mas a respiração não acompanhava a indignação.
Porque havia algo ali.
Algo que não era só imposição.
Era expectativa.
Ela andou pelo quarto, inquieta. Pensando. Negando. Tentando encontrar uma saída.
Mas a verdade era uma só:
Ela queria ir.
— Isso é loucura…
E ainda assim…
Decidi aceitar.
Horas depois, o quarto ficou em silêncio.
Mas Isabela não.
O vestido vermelho estava sobre a cama. Impecável. Luxuoso. Chamativo.
Exatamente como ele tinha exigido.
Ela respirou fundo antes de pegá-lo, como se estivesse prestes a atravessar uma linha invisível.
E talvez fossem.
O tecido deslizou pelo corpo com perfeição. Ajustando-se como se tivesse sido feito sob medida. Cada detalhe será valorizado. Cada curva destacada. Cada movimento mais intenso.
Ela prendeu o cabelo, deixando o rosto à mostra. Maquiagem marcada. Olhos intensos. Lábios definidos.
Salto alto.
Postura firme.
Mas por dentro…
Um turbilhão.
Quando se olhou no espelho, parou.
Não era só bonita.
Estava deslumbrante.
— Ele vai olhar…
E aquilo fez o coração bater mais forte.
A noite já tinha sido contagiada quando ela saiu.
O caminho até a mansão parecia mais longo do que o normal. Ou talvez fosse o nervosismo que distorce tudo.
Quando chegou, pariu.
A mansão era absurda. Grande. Imponente. Iluminada. Como se fosse outro mundo.
Nada ali lembrava da vila. Nada ali lembrava a vida dela.
— Onde eu tô me metendo…
Mas não voltou.
Subiu.
Cada passo na escadaria parecia mais pesado. Mais definitivo.
E então…
Ela chegou ao topo.
E viu.
Rafael estava na porta.
Imóvel.
Esperando.
Como se soubesse exatamente o momento em que ela chegaria.
E quando os olhos dele encontraram os dela…
Tudo parou.
O olhar dele desceu lentamente. Sem pressa. Observando cada detalhe.
Faça isso, Preo…
Ao vestido vermelho…
Ao salto…
E quando voltou aos olhos dela, havia algo diferente.
Mais intenso. Mais profundo. Mais perigoso.
— Eu sabia…
Isabela engoliu em seco, tentando manter a postura.
— Sabia o quê?
Ele desceu um degrau. Depois outro.
Aproximando.
Dominando o espaço.
— Que você ia vir.
Ela cruzou os braços, mesmo sentindo o coração acelerado.
— Eu não vim por você.
Rafael parou na frente dela, tão perto que a respiração dele já se misturava com a dela.
— Não precisa mentir.
O tom não era agressivo.
Era seguro.
Condenado.
— Você poderia ter dito não.
Silêncio.
Ela podia.
Mas não disse.
E ele sabia.
A mão dele subiu lentamente, sem tocar. Apenas emparelhando perto do rosto dela.
— Você tá linda.
Simples. Direto. Sem jogo.
E aquilo aconteceu de um jeito inesperado.
— Eu sei.
Ele,.
— Eu também sei.
O clima entre os dois mudou. Mais quente. Mais carregado.
— Você gosta de brincar com fogo…
— E você gosta de chegar perto demais.
Silêncio.
Mas não era.
Era tensão.
Daquelas que puxam. Que envolvimento.
— Se eu não viesse…
— Eu ia te buscar.
Ele respondeu antes mesmo dela terminar.
E aquilo não era ameaça.
Era certeza.
Isabela respirou fundo.
— Você é impossível.
— E você veio mesmo assim.
Mais um passo.
Mais perto.
Agora não havia espaço entre os dois.
— Isso aqui… não é meu lugar.
Rafael inclinou o rosto.
— Hoje é.
E então…
Ela sente.
Aquilo não era só uma festa.
Era um convite para entrar no mundo dele.
E ela tinha aceitodo.
Mesmo sem saber o preço.
Mesmo sem saber até onde aquilo iria.
Mas uma coisa era certa:
Nada mais seria como antes.
Porque: espuria…
olhar…
então proximidade…
Eles tinham cruzado mais uma linha.
E dessa vez…
Mais fundo do que nunca.

