Capítulo 5 – A Noite em Que Ela Quase Se Perdeu
A música era baixa.
Elegante.
Mas para Isabela…
Nada ao redor fazia sentido.
Desde o momento em que cruzou aquela porta, tudo parecia distante. As luzes, as pessoas, os sorrisos… tudo era secundário.
Porque ele estava ali.
E isso era o suficiente para bagunçar tudo dentro dela.
Rafael caminhava ao lado dela com naturalidade, como se o mundo fosse extensão dele — e de fato era.
Mas Isabela…
Ela sentia cada detalhe.
Cada olhar sobre ela.
Cada passo.
Cada batida do próprio coração, que parecia alta demais.
— Tá nervosa? — ele disse, inclinando levemente o rosto na direção dela.
A voz baixa.
Quase íntima.
Ela tentou rr.
— Não.
Mas ele recebeu.
Claro que foi lançado.
Rafael parou ao lado de uma mesa e bebeu uma taça.
Depois outra.
Serviu com calma.
Controle absoluto em cada movimento.
— Bebe.
Ele entra a taça.
Os dedos dele roçaram nos dela.
E foi o suficiente.
Um arrepio levantado pelo braço de Isabela, atravessando o corpo inteiro.
Ela prendeu a respiração por um segundo.
— Obrigada… — disse, quase em uma sugestão.
O olhar dele não saiu dela.
Nunca saia.
Ela tomou uma taça aos lábios, tentando recuperar o controle.
Mas não.
Porque ele estava perto demais.
E aquilo…
Era perigoso.
Muito mais do que ela imaginava.
— Vem — ele disse, estendendo a mão.
Simples.
Direto.
Irrecusável.
Ela hesitou por um segundo.
Mas colocou a mão na dele.
E no instante em que ele a retirar para mais perto…
Tudo mudou.
A música pareceu diminuir.
O mundo ao redor desapareceu.
E só existiam os dois.
Rafael deslizou a mão pela cintura dela, firme.
Segura.
Dominante.
Puxando-a para junto.
O corpo dela reagiu na hora.
Um frio percorreu sua espinha.
Mas não era medo.
Era algo mais profundo.
Mais intenso.
Mais perigoso.
O cheiro dele invadiu seus sentidos — amadeirado, marcante, impossível de ignorar.
Aju dele…
Era Adora.
Forte.
Mas ao mesmo tempo… envolvente.
Isabela sente as pernas fracarem.
Literalmente.
— Fica firme… — ele murmurou, próximo ao ouvido dela.
E aquilo…
Aquilo quase a desarmou completamente.
O toque dele queimava.
A mão firme na cintura, o corpo colado ao dela, o movimento lento da dança…
Era tudo demais.
— Você faz isso de propósito… — ela sussurrou, tentando manter alguma resistência.
Ele ainda mais.
Se isso fosse possível.
— Faço o quê?
A voz dele saiu baixa.
Raspando nela.
— Me deixei assim…
Ele,.
Mas não era um sorriso leve.
Era intenso.
Quase provocador.
— Assim como?
Ela não respondeu.
Não foi preservado.
Porque o momento…
Ela já não estava mais no controle.
Rafael deslizou a mão um pouco mais firme, puxando-a contra ele.
Sem espaço.
Sem distância.
O coração dela disparou.
Forte.
Descompassado.
— Olha pra mim — ele disse.
Ela.
E se perdeu.
Completamente.
O olhar dele era profundo.
Pesado.
Cheio de algo que ela nunca tinha vivido.
Desejo.
Mas não qualquer desejo.
Era intenso.
Quase bruto.
Mas ao mesmo tempo… contido.
Como se ele estivesse com algo muito maior.
E isso…
Asustava.
— Você tem ideia do que estou fazendo comigo? — ele disse, a voz mais baixa ainda.
Ela engoliu seco.
— Não…
— Ainda não.
O silêncio entre os dois se tornou pesado.
Denso.
Carregado de tudo o que não estava sendo dito.
A respiração dela já não era a mesma.
O corpo inteiro reagia à presença dele.
Cada toque.
Cada movimento.
Cada aproximação.
— Isso é errado… — ela murmurou.
— Eu nunca fui o certo.
E então…
Ele fez.
Sem aviso.
Sem pedir.
Sem dar tempo para ela pensar.
A mão dele subiu até o rosto dela.
Segurando com firmeza.
Os dedos marcando levemente a pele.
E no instante seguinte…
Ele a beijou.
Forte.
Intenso.
Sem delicadeza.
Sem calma.
Foi um beijo que não pedia.
Tomava.
Isabela sentiu o corpo inteiro reagir.
Um choque.
Um calor.
Um diário completo.
As mãos dela subiram automaticamente, segurando-o, como se precisasse de apoio.
Porque as pernas…
Já não responderam direito.
O mundo girou.
Literalmente.
O beijo profundo.
Mais intenso.
Mais urgente.
Mais perigoso.
E ela…
Se perdeu.
Totalmente.
Quando ele se sele…
Ela demorou alguns segundos para conseguir respirar direito.
O peitossir rápido.
Os olhos ainda fechados.
O corpo inteiro tremendo.
— Você tá bem? — ele disse, a voz mais baixa agora.
Mas ainda carregado.
Ela abriu os olhos devagar.
Ainda atordoada.
– UE…
Parou.
Tentando encontrar palavras.
Mas não existiam.
Porque aquilo…
Nunca tinha acontecido com ela.
Nunca essa forma.
Nunca daquele jeito.
Ela passou a mão levemente no rosto.
Como se precisasse voltar para si.
— Eu achei que ia desmaiar… — sussurrou.
Rafael observou.
Intenso.
Silencioso.
E então…
Aproximou de novo.
Mais devagar dessa vez.
— E ainda quer ir embora?
A pergunta ficou no ar.
Pesada.
Cheia de significado.
Isabela para ele.
Ainda sem frio.
Ainda sem controle.
Ainda perdida.
E mesmo sabendo de tudo…
Mesmo sentindo oper…
Ela não conseguiu dizer sim.
Porque a verdade era uma só:
Ela já estava longe demais para voltar.
E é noite…
só.

