Capítulo 6 – Quando Ele Invade o Mundo Dela
Isabela não se lembra exatamente como chegou em casa.
O caminho inteiro foi um borrão. As luzes passando pela janela, o som distante da cidade, o próprio corpo ali… mas a mente longe. Muito longe.
Presa nele.
Sem toque. Sem cheiro. Não beijo.
Ela encostou na porta atrás de si e ficou parada. Imóvel. Respirando fundo, tentando organizar o que estava sentindo.
Mas não.
O corpo ainda reagia. Um calor estranho, uma inquietação que não passa, as mãos levemente trêmulas.
— O que foi aquilo…
Mas sabia.
Sabia exatamente o que foi.
Intenso demais. Forte demais. Verdade demais.
Caminhou até o quarto devagar, tirando os saltos, mas ainda sentindo o chão assustador sob os pés, como se ainda estivesse nos braços dele.
Sentou na cama. Levou a mão aos lábios. Fechou os olhos.
E o disponibilizando.
O coração disparou na hora.
— Não…
Mas não adiantava.
Porque não era só lembrança.
Era.
Ela se deitou, virando de lado, tentando se enganar. Mas o corpo não obedece. A mente não desligava.
Rafael tinha invadido tudo.
E o pior…
Ela queria mais.
A madrugada passou lenta, entre pensamentos confusos, respirações profundas e aquela sensação constante de que algo dentro dela tinha mudado.
E tinha.
Na manhã seguinte, Isabela acordou diferente. Não mais leve. Mas mais consciente.
Como se agora comentasse detalhadamente o perigo que estava enfrentando.
Mas ainda assim se arrumou.
Porque a vida continuava.
O escritório de advocacia era o oposto da noite anterior. Organizado. Silencioso. Previsível.
E ela adicionando disso.
Ou pelo menos encontrei que precisei.
Vestiu um vestido preto de um ombro só, elegante, marcando o corpo com sutileza. O decote profundo desenhando a linha do colo com precisão.
Cabelo preso novamente. Maquiagem impecável. Postura firme.
Por fora, controle.
Por dentro, caos.
Chegou ao trabalho tentando se concentrar. Papéis, processos, rotina.
Mas a mente sempre voltava.
O toque. O olhar. O beijo.
— Foco, Isabela…
Mas era inútil.
Porque ele estava ali, mesmo sem estar.
Até que a porta se protegida.
E tudo parou.
Isabela falou os olhos sem esperar.
E então viu.
Rafael.
Parado na entrada.
Impecável. Elegante. Poderoso.
Mas completamente fora desse mundo.
O silêncio foi instalado no ambiente.
E para ela, o tempo simplesmente travou.
O coração disparou tão forte que chegou ao fazedor.
— Não…
Mas era ele.
Ali.
O olhar dele encontrou o dela na mesma hora, como se já soubesse exatamente onde ela estaria.
E não-exclusu.
Nunca desviava.
As pernas dela falharam por um segundo.
Ela segurou na mesa discretamente, tentando se manter firme.
Mas não adiantava.
Porque o corpo conhecido antes mesmo da mente aceitar.
A presença dele mexia com tudo.
Rafael começou a caminhar. Passos firmes, seguros, dominando o espaço como sempre.
Mas agora…
Dentro do mundo dela.
E isso era ainda mais perigoso.
Ele parou diante da mesa, perto demais.
— Bom dia.
A voz baixa atravessou tudo.
Isabela engoliu em seco, tentando recuperar o controle.
— O que você está fazendo aqui?
Ele inclinou-se levemente para a cabeça, observando.
— Não posso te ver?
— Aqui não.
A resposta veio rápida, mas houve uma briga.
Porque o olhar dele já tinha descido do rosto para o pescoço… para o decote… e secundário.
Sem pressa.
Sem vergonha.
— Bonito esse vestido.
O coração dela acelerou ainda mais.
— Isso aqui é meu trabalho.
— E você acha que eu não sei?
Silêncio.
Ele deu mais um passo.
— Eu só quis te ver.
Simples. Direto. Perigoso.
— Depois de…
— Não fala disso aqui.
Ele de leve.
— Você ainda tá sentindo.
Ela trabalhou.
Porque estava.
E ele sabia.
— Você não deve ter vindo.
— E você não se desviou de ter ido ontem.
Silêncio.
Golpe direto.
Ela respirou fundo.
— Isso não pode acontecer.
— Já.
Sem hesitar.
Sem amaciante.
Ele se inclinou.
— E você não esqueceu.
Ela fechou os olhos por um segundo.
Porque não tinha como negar.
Não era como fugir.
Quando você…
Ele ainda estava ali.
Intenso. Presente. Inevitável.
Naquele momento, Isabela entendeu.
Não era só sobre desejo.
Era sobre algo que estava crescendo rápido demais.
Invadindo tudo.
Até o único lugar onde ela ainda descobriu que tinha controle.
E agora…
Nem isso ela tinha mais.
Porque Rafael tinha entrado no mundo dela.
E não parecia disposto a sair.

