Capítulo 7 – Quando Fugir Já Não Era Mais Opção
Isabela tentou resistir.
Tentou se convencer de que ainda tinha controle. Tentou se manter firme na ideia de que aquilo precisava parar.
Mas toda vez que fechava os olhos, era ele.
Toda vez que respirava fundo, era como se ainda sentisse o cheiro dele.
Toda vez que lembrava do beijo, o corpo inteiro reagia.
Não era mais escolha.
Era algo que já tinha contado.
E ela sabia.
Sabia que estava chegando no limite.
O convite veio no fim da tarde. Simples. Direto. Como tudo que vinha dele.
“Hoje. À noite.
Só nós dois.
Eu vou te buscar.”
Isabela ficou parada olhando uma mensagem. O coração acelerando. A mente gritando para dizer não.
Mas o corpo já tinha sido decidido antes.
— Eu não posso…
Mas já estava perdida.
Ela sabia exatamente o que aquilo queria. Ficar sozinho com ele. Sem distrações. Sem pessoas. Sem distância.
E o pior…sabia que não iria resistir.
Mesmo assim, aceito.
A noite caiu rápido. E junto com ela, o nervosismo.
Isabela se arrumou devagar. Como cada detalhe importante fosse. Como se, no fundo, queria impressionar.
Escolheu um vestido leve, elegante, que desenhava o corpo sem esforço. Cabelo solto dessa vez, mais natural, mas ainda assim impossível de ignorar.
Quando ficou pronto, parou diante do espelho.
— Você sabe onde isso vai dar…
Sabia.
Mas não todo.
O carro chegou. Imponente. Silencioso. Como sempre.
O coração dela disparou.
Quando saiu, ele já estava ali. Encostado. Esperando.
Rafael.
Camisa branca levemente aberta no peito. Calça ajustada. Postura firme. Olhar intenso.
E quando ele a viu, o olhar mudou.
Desceu lentamente, absorvendo cada detalhe, sem pressa, sem esconder.
— Você está linda…
Ela sentiu aquilo na pele.
— Você também.
Mas a voz falhou profundamente.
Ele se mudou, sem tocar, mas perto o suficiente para bagunçar tudo.
— Vamos?
Ela apenas assentiu.
Porque falar já não era tão simples perto dele.
O caminho foi silencioso. Mas não vazio.
A tensão preenchia tudo. Cada segundo. Cada respiração.
Ao chegar, Isabela percebe que não era só um jantar.
Era um lugar reservado. Iluminado de forma suave. Elegante. Quase íntimo demais.
— Você planejou isso.
Ele deu um leve sorriso.
— Sempre.
Ela respirou fundo.
Porque aquilo só foi confirmado: ele não fez nada por acaso.
Eles sentaram. Conversaram. Ou pelo menos interessado.
Porque a verdade era uma só: nada ali era realmente sobre conversa.
Era sobre proximidade.
Os olhares. Como pausas. O silêncio entre as frases.
Tudo puxava.
Tudo se aproximava.
— Você tá diferente hoje.
— Como?
— Menos resistente.
Ela configurou o olhar.
— Talvez eu só esteja cansado de lutar.
Silêncio.
Ele se inclinou.
— Ou talvez você só tenha parado de mentir pra si mesma.
Aquilo acertou direto.
Porque era verdade.
Isabela/ os olhos.
— E se for isso?
Ele não hesitou.
— então para de separar .
O coração dela disparou.
— Você não entendeu…
— Eu entendo tudo.
Mais perto.
Mais intenso.
— Eu só não aceito.
O ar ficou pesado.
Ela sabia.
Sabia que estava no limite.
— Isso não é simples.
— Eu nunca fui simples.
Silêncio.
E então ele.
Estendeu a mão.
— Vem.
Ela arrancou. Hesitou.
Mas foi.
Porque já não fazia mais sentido negar.
Quando ele foi retirado para perto, tudo voltou.
O frio na espinha. Ó calor no corpo. A respiração descompassada.
— Você sente isso…
— Sinto…
Ela respondeu sem pensar.
Sem se proteger.
Sem esconder.
E naquele momento ela entendeu.
Não dava mais.
Não dava mais para negar.
Não dava mais para resistir.
Porque aquilo já não era só desejo.
Era algo mais profundo.
Mais forte.
Mais ávido.
E ela já tinha ido longe demais.
E mesmo sabendo disso…
Ela não queria voltar.

