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🔥 SOB O DOMÍNIO DO DESEJO 🔥

Capítulo 10 – O Retorno Que Revela Tudo

A noite já estava avançada quando Isabela chegou em casa.

Os passos não eram tão firmes.

O corpo levemente desequilibrado.

O efeito da bebida ainda presente.

Mas não era só isso.

Era o vazio.

A frustração.

O orgulho ferido.

Ela tinha saído com as amigas.

Riu.
Conversou.
Tentou esquecer.

Mas não conseguiu.

Porque ele estava em tudo.

Mesmo ausente.

Principalmente ausente.

Abriu a porta do apartamento com certa pressa.

Jogou a bolsa de lado.

Suspirou fundo.

— Chega… — murmurou.

Mas quando levantou o olhar…

Parou.

O coração travou.

O ar sumiu.

Ele estava ali.

Sentado no sofá.

Na penumbra.

Imóvel.

Esperando.

— Rafael…? — a voz saiu falha.

Mistura de surpresa…
com revolta…
com dor.

— O que você tá fazendo aqui?!

A pergunta veio mais alta.

Carregada.

Guardada há dias.

Ele não respondeu na hora.

Apenas levantou.

Devagar.

Como se cada movimento exigisse esforço.

E aquilo…

Aquilo ela percebeu.

Mas a dor falou mais alto primeiro.

— Você sumiu! — disse, avançando um passo.
— Não deu notícia!
— Nem uma mensagem!

A respiração dela já estava descompassada.

Os olhos marejados.

— Eu achei que… — parou.

Engoliu seco.

Mas não terminou.

Não conseguiu.

O silêncio pesou.

E então…

Ele se aproximou.

Mais rápido dessa vez.

Como se não aguentasse mais a distância.

E a puxou.

Forte.

Para os braços dele.

Sem pedir.

Sem avisar.

Ela travou.

Por um segundo.

Mas não resistiu.

Porque aquele abraço…

Era tudo que ela tinha sentido falta.

O cheiro.
O calor.
A presença.

Real.

De novo.

— Eu não pude vir antes… — ele disse, baixo, perto do ouvido dela.

A voz rouca.

Diferente.

Mais pesada.

Mais carregada.

E aquilo…

Aquilo fez ela parar.

De verdade.

Ela se afastou lentamente.

O suficiente para olhar.

E foi ali que viu.

O olhar dele.

Sombrio.

Cansado.

Duro.

Mas não frio.

Nunca frio.

— O que aconteceu? — perguntou, mais baixa agora.

Mais preocupada.

Mais… conectada.

Ele passou a mão pelo rosto.

Respirou fundo.

Como se estivesse decidindo até onde contar.

Até onde deixar ela entrar.

— Eu fui pego numa emboscada.

Silêncio.

As palavras demoraram a fazer sentido.

— O quê…?

O coração dela disparou.

— Rivais — ele continuou.
— Tentaram me matar.

O mundo dela girou.

Literalmente.

— Você…

Ela olhou para ele com mais atenção.

E então viu.

Os sinais.

O cansaço.
A tensão.
A dor escondida.

— Você tá ferido…

A voz saiu em um sussurro.

Ele não respondeu.

Mas não precisava.

Porque ela já sabia.

Os olhos dela encheram de lágrimas.

Na mesma hora.

— E eu aqui… — disse, a voz falhando
— achando que você…

Parou.

O arrependimento veio forte.

Pesado.

— Que eu tinha te deixado? — ele completou.

Ela assentiu de leve.

Sem conseguir falar.

Ele se aproximou de novo.

Mais calmo.

Mais presente.

— Eu tentei voltar antes — disse
— mas não dava.

A mão dele tocou o rosto dela.

Dessa vez… com cuidado.

— A única coisa que eu pensava…

Ele parou.

O olhar preso no dela.

— era em você.

O coração dela apertou.

Mas agora…

Por outro motivo.

— Você podia ter morrido… — sussurrou.

Ele não desviou.

— Mas não morri.

Mais um passo.

Mais perto.

— Porque eu precisava voltar.

Silêncio.

— Pra você.

Aquilo quebrou tudo.

As defesas.
A raiva.
O orgulho.

Tudo.

Ela o puxou.

Agora com força.

Abraçando de verdade.

Como se tivesse quase perdido.

— Não faz isso comigo… — disse, a voz embargada
— não some assim…

Ele fechou os olhos por um segundo.

Sentindo.

Absorvendo.

— Eu não vou mais.

A promessa saiu baixa.

Mas firme.

Ela se afastou só o suficiente para olhar.

E dessa vez…

Não havia dúvida.

Não havia medo.

Só verdade.

— Eu achei que tinha sido enganada…

Ele segurou o rosto dela.

Com firmeza.

— Nunca.

Simples.

Direto.

Real.

O silêncio entre os dois mudou.

Agora não era dor.

Era alívio.

Era reencontro.

Era certeza.

E então…

Sem pensar…

Sem segurar…

Ela o beijou.

Forte.

Intenso.

Urgente.

Como se estivesse recuperando o tempo perdido.

Como se estivesse confirmando…

que ele estava ali.

Que era real.

E que ainda era deles.

E naquele momento…

Eles entenderam.

Não era só desejo.

Não era só paixão.

Era algo maior.

Mais forte.

Mais impossível de quebrar.

Porque mesmo no silêncio…

Mesmo na dor…

Mesmo quase no fim…

Eles voltaram um para o outro.

E isso…

Era amor.

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