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Entre o Luxo eo Giz

Capítulo 4 – A Mulher Que Ele Não Esperava

Ana Clara estava irreconhecível.

Não porque tivesse deixado de ser quem era… mas porque, pela vez, ela permitiu que o mundo visse tudo o que sempre esteve escondido pela primeira vez.

Naquela manhã, diante do espelho, ela não se arrumava apenas para mais um dia de trabalho.

Ela se preparou… para ser notada.

O vestido creme marcava suavemente sua silhueta, elegante na medida certa. Nada exagerado, nada vulgar — apenas o suficiente para valorizar o corpo que ela, por tanto tempo, havia escondido atrás de roupas largas e discretas.

Os saltos altos acompanhavam sua postura, trazendo uma confiança nova, quase desconhecida.

Na mão, uma bolsa delicada, escolhida com cuidado.

O cabelo, agora solto, com mechas iluminadas, caia com leveza sobre os ombros.

A maquiagem destacava seus olhos.

Mas o que mais chamava atenção…

Era o olhar.

Mais firme.

Mais seguro.

Mais vivo.

Ana se lembrou por alguns segundos.

Em silêncio.

— Essa sou eu… — sussurrei.

E, pela primeira vez…

Ela acreditou sim.

Saiu de casa com o coração acelerado.

Cada passo parecia diferente.

Mais consciente.

Mais presente.

E, mesmo sem admitir…

Ela sabia o motivo.

Ele.

Do outro lado da cidade, Paulo dirigia sem destino definido.

Ou pelo menos…

Era isso que ele dizia a si mesmo.

Mas, no fundo, sabia exatamente para onde estava indo.

Aquelando.

Aquela escola.

Aquela mulher.

Os dias afastados não diminuíram o que sentiram.

Pelo contrário.

Intensificaram.

Criaram expectativa.

Curiosidade.

E algo mais perigoso…

Desejo.

Quando dobrou a esquina, seu olhar automaticamente buscou.

E então…

Ele a viu.

E o mundo, por um instante, parou.

Ana caminhava pela calçada como se não soubesse o impacto que causou.

O vestido claro contrastava com o tom da sua pele.

O movimento do cabelo ao vento parecia quase calculado.

O salto marcava o ritmo de cada passo.

E havia algo internamente…

Que não estava ali antes.

Presença.

Confiança.

Uma beleza que não pedi permissão.

Simplesmente existente.

Paulo freou o carro lentamente.

Sem desviar os olhos.

— Não pode ser… — murmurou, quase sem acreditar.

Era ela.

Mas… não era a mesma.

Era melhor.

Muito melhor.

Ele caminhou o carro.

E ficou ali.

Apenas olhando.

Como se precisa confirmar que aquilo era real.

Ana passou pelo carro sem perceber.

Ou talvez…

Percebendo mais do que queria admitir.

Porque, por um segundo…

Ela sente.

Aquele olhar.

Forte.

Familiar.

Intenso.

Ela diminuiu o passo.

O acelerando.

E, lentamente…

Virou o rosto.

Os olhares se encontraram.

E tudo voltou.

Mais forte.

Mais profundo.

Mais perigoso.

Paulo saiu do carro.

Sem pensar.

Sem.

Apenas reagindo.

— Ana.

A voz dele veio firme.

Cova.

Carregada de algo que ela não conseguiu definir.

Mas que.

Ela pariu.

Completamente.

E se virou de frente para ele.

Por um segundo, ninguém falou.

O silêncio dizia tudo.

Os olhos dele percorreram cada detalhe dela.

Sem pressa.

Sem hípar.

Como se estavam absorvendo.

Gravando.

Desejando.

— Você… — ele começou, mas parou.

Porque não havia palavras suficientes.

Ana sustentou o olhar.

Mas por dentro…

Tudo estava em movimento.

— Eu achei que você não voltaria — ela disse, antes de conseguir se controlar.

A frase saiu mais sincera do que deveria.

Paulo deu um leve sorriso.

— Eu tentei não voltar.

Uma resposta foi comprada.

Quase íntima.

O coração dela apertou.

— E por que bo?

Ele deu mais um passo.

Diminuindo a distância.

— Porque eu não consegui esquecer você.

O ar entre eles mudou.

Ficou mais denso.

Mais quente.

Mais perigoso.

Ana Conte.

Cada palavra.

Cada aproximação.

Cada segundo.

— Isso não faz sentido… — ela sussurrou.

Mas não todo.

Não foi preservado.

— Nem tudo precisa fazer — ele respondeu.

Agora, boas novas.

Perto demais.

E, ainda assim…

Nenhum dos dois se ilumina.

Paulo passou a mão lentamente.

Como se pedisse permissão sem usar palavras.

E, com delicadeza…

Afastou uma mecha de cabelo do rosto dela.

O toque foi leve.

Mas o suficiente para fazer o corpo dela reagir.

Um arrépio.

Um choque.

Um desejo.

Ana fechou os olhos por um breve segundo.

Respirou fundo.

E, quando aberto novamente…

Já não era mais a mesma mulher que entrou na escola dias atrás.

Ela estava diferente.

Mais aberta.

Mais.

Mais entregue.

— Isso é perigoso… — ela murmurou.

Mas não houve força na tentativa de recuo.

Paulo mudou ainda mais o rosto.

Sem tocar.

Sem ultrapassa.

Mas deixando claro…

Que queria.

— Eu sei.

E, mesmo assim…

Ficaram ali.

Pressos naquele instante.

Entre o certo eo errado.

Entre o impulso eo controle.

Entre o que deveria evitar…

E o que não posso negar.

O som distante da escola os trouxe de volta.

Ana se separe primeiro.

Respirando mais rápido.

— Eu preciso entrar…

Mas sua voz não tinha firmeza.

Paulo assentiu.

Mas seus olhos ainda estavam nela.

— Eu vou te ver de novo.

Não foi uma pergunta.

Foi uma certeza.

Ana hesitou.

Mas respondeu:

— álibi…

Mas, no fundo…

Ela já sabia.

Que aquilo não iria parar.

Ela virou e caminhou em direção à escola.

Sentindo o olhar dele em cada passo.

Mais forte.

Mais presente.

Mais impossível de ignorar.

E Paulo…

Ficou ali.

Observando.

Com a certeza de que aquela mulher…

Não era apenas mais uma.

Era uma única…

Que poderia tirá-lo do controle.

Continua… 🔥

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