Helena passou a manhã inteira pensando na mensagem.
A noite do lago.
A mulher desaparecida.
A fotografia.
Nada fazia sentido.
Mas uma coisa estava clara: alguém queria que ela descobrisse a verdade.
E estava disposto a fazer qualquer coisa para isso.
Naquela tarde, enquanto Marcos estava no trabalho, Helena decidiu investigar por conta própria.
Pegou a fotografia antiga e saiu de casa.
Seu primeiro destino foi a biblioteca municipal.
Se existia um acidente ocorrido vinte e cinco anos antes, provavelmente haveria registros.
Após quase duas horas pesquisando jornais antigos, ela encontrou.
Uma manchete amarelada chamou sua atenção.
“Jovens se envolvem em misterioso acidente próximo ao Lago Azul.”
Seu coração acelerou.
Ela começou a ler.
Segundo a reportagem, quatro jovens estavam em uma embarcação durante uma festa.
Durante a madrugada, algo aconteceu.
O barco virou.
Três pessoas foram encontradas.
Uma desapareceu.
Ana Ribeiro.
A mesma mulher mencionada na fotografia.
Helena sentiu um arrepio.
Mas o que mais chamou sua atenção foi uma pequena nota no final da matéria.
“O caso foi encerrado por falta de provas.”
Falta de provas?
Ela continuou procurando.
Dias depois do acidente, surgiram rumores.
Testemunhas afirmavam ter ouvido uma discussão antes do desaparecimento.
Mas ninguém jamais confirmou nada.
A investigação acabou arquivada.
Como se nunca tivesse existido.
Quando Helena saiu da biblioteca, uma sensação estranha tomou conta dela.
Ela não estava apenas descobrindo um segredo.
Estava desenterrando algo que alguém havia se esforçado para esconder.
Ao chegar em casa, encontrou um envelope embaixo da porta.
Sem remetente.
Sem identificação.
As mãos tremiam quando ela abriu.
Dentro havia apenas uma fotografia.
Uma fotografia recente.
Helena quase deixou a imagem cair.
Era Ana.
Mais velha.
Mas sem dúvida era ela.
Viva.
No verso havia uma frase escrita em letras vermelhas:
“Ela nunca morreu.”
Helena sentiu o coração disparar.
Vinte e três anos desaparecida.
E alguém acabava de provar que Ana estava viva.
Na mesma hora, ligou para Marcos.
— Você precisa vir para casa agora.
Quando ele chegou e viu a fotografia, ficou paralisado.
— Isso é impossível.
— Você conhece essa foto?
Marcos segurava a imagem com mãos trêmulas.
— Foi tirada recentemente.
— Então Ana está viva.
Ele afundou no sofá.
Parecia à beira de um colapso.
— Não pode ser.
— O que você está escondendo?
Marcos levantou os olhos.
Pela primeira vez desde o início daquela história, Helena percebeu medo verdadeiro em seu rosto.
Não culpa.
Não vergonha.
Medo.
— Porque se Ana está viva…
Ele interrompeu a frase.
— Se Ana está viva, o quê?
O silêncio se instalou.
Até que finalmente ele respondeu.
— Então alguém mentiu para todos nós naquela noite.
Antes que Helena pudesse fazer outra pergunta, ouviram uma batida na porta.
Três toques lentos.
Firmes.
Estranhos.
Os dois se entreolharam.
Ninguém estava esperando visita.
Helena caminhou até a entrada.
Abriu a porta.
E ficou sem ar.
Uma mulher estava parada diante dela.
Cabelos grisalhos.
Olhos cansados.
Mas incrivelmente familiares.
A desconhecida segurava uma fotografia antiga.
A mesma fotografia encontrada na caixa.
Então ela pronunciou uma única frase:
— Meu nome é Ana Ribeiro.
E chegou a hora de vocês conhecerem a verdade.
Continua…

