O salão ainda brilhava.
A música ainda tocava.
As pessoas ainda dançavam.
Mas, para Miguel… tudo tinha parado.
Porque, no centro daquela noite perfeita…
Tudo tinha desmoronado.
Uma discussão que não poderia ser evitada
— Chega.
A voz de Helena cortou o ar.
Firme.
Sem tremor.
Sem volta.
Camila cruzou os braços, ao lado, com o olhar fixo em Miguel.
— Agora você vai falar — completou, calma… mas perigosa.
Miguel respirou fundo.
Sabia.
Não dava mais para fugir.
— Eu não quis que isso cheguesse aqui…
— Mas chegou — Helena descontou. — E por sua causa.
Silêncio.
Pesado.
— Você brincou com as duas — Camila disse, direta.
— Eu não brinquei.
— Então explica — Helena avançou um passo. — Porque até agora… você só confundiu.
Miguel passou a mão no cabelo, suavemente pressionado.
— Eu… eu senti.
As duas ficaram em silêncio.
Esperando.
— Senti por vocês duas.
Aquilo caiu como uma bomba.
A que mascara
Helena riu.
Sem humor.
— Isso não é resposta.
— É a única verdade que eu tenho.
Camila inclinou levemente a cabeça.
— Então você está dizendo que ama nós duas?
Miguel hesitou.
Mas não todo.
— Estou.
O silêncio foi imediatamente.
Pesado.
Quase insuportável.
Helena:u o olhar.
Como se aquilo fosse mais do que qualquer traição.
— Isso não existe — ela disse, mais baixo.
— Existe quando você não consegue escolher — ele respondeu.
— Não — ela negou, firme agora. — Existe quando você não quer escolher.
Aquilo ficou direto.
Sem defesa.
Sem desculpas.
O limite das duas
Camila respirou fundo.
E, pela primeira vez, a calma dela falhou.
— Eu não dividido.
Simples.
Direto.
Sem margem.
Helena genuína com um leve aceno.
— Nem eu.
Miguel escapou para as duas.
E, naquele momento…
Entendeu que não havia saída fácil.
— Eu não quero perder nenhum de vocês.
— Então você já perdeu — Helena disse.
A frase foi fria.
Mas carregado de dor.
Camila deu um passo para trás.
— Porque homem que não escolhe… não fica com ninguém.
O abandono que ensina
E, sem mais palavras…
Elas viraram.
Quase ao mesmo tempo.
E foram embora.
Em direções diferentes.
Sem olhar para trás.
Sem hesitar.
Sem dar mais espaço.
Miguel ficou ali.
Parado.
No meio do salão.
Com tudo ao redor funcionando…
E ele completamente vazio.
Pela primeira vez…
Sozinho.
De verdade.
O encontro inesperado
Do lado de fora…
O ar estava frio.
Mas não mais frio do que o que as duas estavam sentindo.
Helena mantémva rápido.
Tentando segurar.
Tentando não quebrar.
Quando ouviu:
— Helena.
Ela pariu.
Virou.
E viu.
Camila.
As duas se olharam.
Por alguns segundos.
Sem palavras.
Sem máscaras.
Sem disputa.
O désico
— Então… é você — Camila disse.
Helena soltou um pequeno sorriso, cansado.
— E você é uma loira perfeita.
— E você… a que ele não consegue esquecer.
Silêncio.
Mas não hostil.
Diferente.
— Você ama ele? — Camila perguntou.
Direto.
Sem rodeio.
Helena demorou um segundo.
Mas respondeu:
— Amo.
Agora foi a vez de Camila.
Respirou fundo.
— Eu também.
E, naquele momento…
Algo mudou.
O que esperávamos
As duas ficaram em silêncio.
Processando.
Sentindo.
Entendendo.
— Que situação ridícula… — Helena soltou, passando a mão no rosto.
Camila riu de leve.
— Concordo.
— A gente… disputando.
— Por um homem que não conseguiu decidir.
As duas se entreolharam.
E, pela primeira vez…
Houve algo parecido com cumplicidade.
O novo conflito
— E agora? —Helena perguntou.
Camila cruzou os braços.
Pensativa.
— Agora… ele está sozinho.
— E a gente?
— Também.
Silêncio.
Mas não vazio.
Cheio de possibilidades.
Cheio de fotos.
Cheio de algo novo surgindo.
O que pode mudar tudo
— Você voltaria? — Camila perguntou.
Helena pensou.
De verdade.
— Só se ele escolheusse.
— E se ele fala com você?
Helena interessou por ela.
— E você?
Camila de lado.
— Eu iria embora.
Aquilo foi sincero.
Cru.
E então.
— E se ele fala com você?
— A mesma coisa.
Agora foi Helena quem.
Fraco.
Mas verdade.
O destino em aberto
As duas ficaram ali.
Na mesma calçada.
Sob a mesma noite.
Ligadas por algo improvável.
O mesmo homem.
O mesmo sentimento.
O mesmo conflito.
E, pela primeira vez…
Sem ele no meio.
— Talvez a gente não tenha que decidir nada hoje — Helena disse.
Camila assentiu.
— Talvez a decisão não seja nossa.
As duas olharam para trás.
Para o salão.
Onde tudo ainda.
Onde ele ainda estava.
Sozinho.
— Ou talvez… — Helena completou — ele já tenha perdido as duas.
Silêncio.
E, dessa vez…
Nenhuma discordou.
Porque, no fundo…
Ambas sabiam:
O amor pode ser intenso.
Pode ser confuso.
Pode até ser dividido.
Mas decisão…
Essa não pode ser adiada para sempre.
Erica noite…
O tempo de Miguel tinha acabado.

