Ícone do site mundoatena

Aquele Homem Não Deveria Me Olhar Assim

Capítulo 4 — Quando o Perigo Chega Perto Demais

— De novo?

Minha voz saiu quase inaudível.

Mas por dentro…

Tudo gritou.

Ele não respondeu.

Não imediatamente.

O silêncio entre nós não era vazio — era carregado de coisas não ditas. De memórias que eu não tinha… e de verdades que ele claramente estava evitando.

— Você não pode soltar isso assim — falei, tentando recuperar o controle. — “De novo”? O que isso significa?

Ele passou a mão no rosto, tenso.

— Significa que você não é estranho pra mim.

— Isso eu já percebi!

— Não sei o que você está pensando.

Meu coração disparou.

— Então me explique!

Antes que ele pudesse responder…

Um barulho.

Seco.

Do lado de fora.

Os dois congelamos.

Ele virou o rosto imediatamente para a porta.

Os olhos mudam.

Totalmente.

Não eram mais os mesmos.

Agora havia alerta.

Perigo.

— Tem alguém aí — ele disse, baixo.

Um arrepio percorre minha espinha inteira.

— O quê?

— Fica atrás de mim.

— Eu não vou—

— Fica.

A forma como ele falou…

Não era um pedido.

Meu corpo obedeceu antes da minha mente.

Ele se moveu da porta lentamente.

Silencioso.

Cada passo calculado.

Eu prendi a respiração.

O mundo parecia ter diminuído ao som do meu coração batendo.

Ele estabeleceu a porta de repente.

Nada.

Chuva.

Rua ✓.

Mas…

Não completamente.

— Droga… — ele murmurou.

— O que foi? — queria, já com o medo crescendo.

Ele deu alguns passos para fora.

Olho para os lados.

E então voltar.

Mais tenso do que antes.

— A gente não tem muito tempo.

Meus pés juntos.

— Tempo pra quê?

Ele me encarou.

E dessa vez…

Não havia mais como esconder.

— Eles sabem.

O ar sumiu dos meus.

— Quem são “eles”?

— As pessoas que não podem deixar você lembrar.

Minhas pernas lutaram.

— Isso tá ficando louco demais…

— Não é loucura.

Ele se.

Segurou meu braço.

Firme.

— Você precisa confiar em mim agora.

— Você não me deu motivo pra isso!

— Eu te salvei!

— E também está escondendo tudo!

Silêncio.

Pesado.

Ele apertou o maxilar.

— Estou tentando te manter viva.

— De novo essa história—

— Porque você já morreu uma vez pra eles!

Aquilo me atingiu como um soco.

— O quê?

Minha voz falhou.

— O que você quer dizer com isso?

Ele passou a mão no cabelo, claramente no limite.

— Você viu algo que não desviou.

Meu coração disparou.

— O quê?

— Ainda não.

— Ainda não?!

— Você vai se lembrar.

— E quando eu me lembro?

Ele não respondeu.

E foi isso que mais me assustou.

— FALA!

— Eles vão vir atrás de você.

O silêncio caiu.

Denso.

Pesado.

Real.

— E você? — quis, quase sem voz.

— Eu não vou deixar.

O jeito que ele disse isso…

Meu corpo reagiu.

De novo.

Errado.

Sempre errado.

— Você não pode prometer isso.

— Posso.

Ele se reserva mais.

Agora muito perto.

— Porque eu não falhei com você na primeira vez.

Minha respiração ficou irregular.

— E dessa vez…?

Ele olhou diretamente para meus olhos.

— Eu não vou falhar de novo.

O mundo pareceu parar.

O ar ficou pesado.

E foi nesse instante…

Que eu percebi.

Não era só medo.

Era outra coisa.

Mais perigoso.

Mais profunda.

— Você precisa ir embora — falei, mas minha voz não combinava com minhas palavras.

— Não vou.

— Eles podem estar vendo!

— Já estão.

Meu coração disparou.

— Então por que você ainda está aqui?!

Ele chegou mais perto.

Tão perto que eu senti o calor dele.

— Porque eu não consigo ir.

Aquilo…

Quebrou algo dentro de mim.

— Isso não faz sentido…

— Faz pra mim.

Minha respiração ficou presa.

— Isso é errado.

— Eu sei.

— Perigoso.

— Eu sei.

— Então para.

Silêncio.

Ele não pariu.

Pelo contrário.

A mão dele subiu lentamente até meu rosto.

Dessa vez…

Sem hesitar.

Sem medo.

Sem controle.

— Eu devia ficar longe de você — ele disse, baixo.

— fica…

Mas eu não me afastei.

Erro.

O maior até agora.

Porque quando os olhos dele desceram para minha boca…

Eu soube.

Não tinha mais volta.

— Isso vai piorar tudo — sussurrei.

— Já piorou.

E então…

Ele me beijou.

Forte.

Intenso.

Sem espaço para dúvida.

Sem espaço pra fuga.

Meu corpo reagiu na hora.

Como se já conhecesse aquilo.

Como se já tivesse vivido aquilo.

Como se…

Não fosse a primeira vez.

Meu coração disparou.

Minhas mãos subiram até ele.

Sem pensar.

Sem controle.

Era como um choque.

Memória.

Desejo.

Confusão.

Tudo junto.

Quando ele se sele…

Eu estava sem ar.

Literalmente.

— Isso… — minha voz falhou — isso não é normal.

Ele encostou a testa na minha.

Respiração pesada.

— Nada entre a gente é.

Um arrepio percorreu meu corpo inteiro.

— Você precisa me contar tudo.

— Eu vou.

— Quando?

Ele fechou os olhos por um segundo.

E quando…

Algo tinha mudado.

— Quando não tiver mais como te esconder.

Meu coração apertou.

— E quando vai ser isso?

Ele estabeleceu para a porta.

Depois para mim.

E disse:

— Ágora.

O som de um carro parando bruscamente do lado de fora ecoou pela casa.

Meu sangue gelou.

— Eles vieram.

O mundo parou.

E pela primeira vez…

O perigo não era só uma ameaça.

Era real.

Sair da versão mobile