Capítulo 5 — A Verdade Que Nunca Deveria Voltar
O som do carro ainda ecoava na minha cabeça.
Porta batendo.
Passos do lado de fora.
E aquele olhar dele…
Mudou completamente.
— Vem — ele disse, segurando minha mão com firmeza.
Não foi gentil.
Foi urgente.
— Pra onde?!
— Agora não dá tempo de explicar!
Meu coração disparou.
— Eu não vou sair assim!
— Vai.
Ele me pediu.
Direto.
Sem espaço pra discussão.
E, pela primeira vez…
Eu não resisti.
Porque o medo agora era real.
Pesado.
Vivo.
Ele abriu a porta dos fundos da casa.
A chuva ainda caiu, forte, fria, batendo no chão com intensidade.
— A gente precisa sair antes que eles entrem — ele disse.
— Eles já sabem que estou aqui!
— Exatamente.
Meu estômago revirou.
— Quem são essas pessoas?!
Ele me invadiu.
E dessa vez…
Não.
— Você realmente quer saber agora?
Meu coração apertou.
— Eu já estou no meio disso!
Ele hesitou.
Só por um segundo.
Mas foi o suficiente para eu perceber.
Aquilo não era só perigo.
Era algo muito maior.
— Eles trabalham com… controle — ele disse.
— baixar de quê?
Silêncio.
— De pessoas.
O ar ficou pesado.
— Isso não faz sentido…
— Faz.
Ele apertou minha mão.
— Você viu algo que eles fizeram.
— O quê?
— Ainda não.
— Para falar isso!
Minha voz saiu mais alta.
Mais desesperada.
— Eu preciso saber!
— E você vai saber.
— Quando?!
Ele se.
Os pulsos fixos nos meus.
— Quando sua memória voltar completamente.
— E até lá?!
— Eu te protejo.
Meu coração disparou.
— Você não pode garantir isso!
— Posso.
— COMO?!
E então…
Ele soltou minha mão.
Devagar.
E disse:
— Porque eu fazia parte deles.
O mundo parou.
— O quê…?
Minha voz simplesmente falhou.
— Eu não ouvi isso…
— ouviuu.
Ele deu um pa pra tras.
Como se aquilo fosse uma linha que não poderia ser cruzada.
— Eu. com eles.
Minha respiração ficou irregular.
— Você está menindo.
— Eu queria estar.
— Então você… — engoliu seco — você faz isso com as pessoas?
Silêncio.
Pesado.
Culpado.
— Já fiz.
Aquilo me atingiu com força.
— Então você apagou minha memória?!
— Não.
A resposta veio rápida.
Firme.
— quem fez?!
— Eles.
— E você deixou?!
— Eu não sabia que era você!
O silêncio caiu.
E dessa vez…
Doeu.
— Isso não muda nada…
— Muda.
Ele deu um passo à frente.
— Porque quando eu descobri…
Eu parei.
— Parou o quê?
— Tudo.
Meu coração apertou.
— Por quê?
Ele me encarou.
E havia verdade ali.
Crua.
— Porque você me chamou.
Meu corpo inteiro arrepiou.
— De novo isso…
— Não foi um nome qualquer.
Ele se reserva mais.
— Foi o meu nome.
Minha respiração travou.
— então fala.
— O quê?
— FALA O SEU NOME!
Silêncio.
Longo.
Pesado.
E então…
Ele disse:
— Lucas.
O mundo girou.
Meu corpo reagiu antes da minha mente.
— Lucas…
A palavra saiu sozinha.
Automática.
Como se já estivesse dentro de mim.
Como se…
Eu já tinha dito aquilo antes.
Primeiramente.
Meu coração disparou.
— Eu… eu já falei isso…
Ele assentiu.
— Falou.
Minha começou cabeça a doer.
Forte.
Latejando.
— Não…
As imagens vieram.
Mais intensas agora.
Mais rápidas.
Mais claras.
Um corredor.
Luz branca.
Vozes.
E ele.
Sempre ele.
— Você estava comigo — murmurei, confusa.
— Sempre.
— Isso não faz sentido…
— Vai fazer.
Minha respiração ficou pesada.
— Você… você não era só alguém que me salvou…
Ele não respondeu.
Mas não necessário.
Porque instante…
Eu senti.
Algo muito mais profundo.
Muito mais perigoso.
— Você estava lá antes.
Ele fechou os olhos por um segundo.
— Sim.
Meu coração apertou.
— Quanto tempo?
Ele hesitou.
E aquilo foi o suficiente.
— Lucas…
Minha voz saiu mais baixa agora.
Mais.
— Me diz a verdade.
Ele os olhos.
E dessa vez…
Não havia mais como fugir.
— Tempo suficiente para você confiar em mim.
Meus pés juntos.
— E pra eu te amar?
Silêncio.
Pesado.
Final.
Ele não respondeu.
Mas o olhar dele…
Respondi tudo.
Meu coração disparou.
— Isso não pode ser verdade…
— É.
— Eu não lembro!
— Vai lembrar.
— E se eu não gosto do que eu descobrir?!
Ele se.
Devagar.
Com cuidado.
— Eu vou estar com você.
— Mesmo depois do que você fez?
Ele pariu.
Um passo de distância.
— ! por isso.
O som de passos do lado de dentro da casa fez tudo congelar.
Meu sangue gelou.
— Eles baixam.
Ele virou o rosto imediatamente.
O olhar mudou.
De novo.
Frio.
Calculado.
Perigoso.
— A gente precisa ir.
— Agora?!
— Ágora.
Ele segurou minha mão de novo.
Mais forte.
— Confia em mim.
Eu hesitei.
Só por um segundo.
Mas então…
i.
Da água.
Da voz.
Do nome.
— Lucas…
Ele me invadiu.
E algo ali…
Me fez decidir.
— Tá.
E foier instante…
Que eu escolhi.
Confiar nele.
Mesmo sem lembrar.
Mesmo sem entender.
Mesmo sabendo…
Que aquilo poderia destruir tudo.
Porque, no fundo…
Eu já tinha escolhido antes.
E talvez…
Eu só estava repetindo a mesma escolha.
De novo.

