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Capítulo 4 — Entre o Desejo e a Verdade

A noite em que tudo mudou

Helena fica em silêncio dentro do carro.

A última frase de Gabriel continuou ecoando em sua cabeça.

“Você não é quem sempre acreditou ser.”

Ela olhou pela janela, vendo as luzes da cidade desaparecerem enquanto a chuva batia contra o vidro.

— O que isso significa? — Disse finalmente.

Gabriel mantinha os olhos na estrada.

— Significa que existem coisas sobre o seu nascimento que nunca lhe contaram.

Helena virou-se para ele.

— Eu nasci no hospital. Tenho uma certidão de nascimento. Tenho fotografias da minha infância. Tenho lembranças.

— Tudo isso é verdade.

— então quem eu sou?

Gabriel respirou profundamente.

— Você é filha da mulher que sempre chamou de mãe.

Helena Franziu a testa.

— Então qual é o problema?

Ele demorou.

— O problema é quem era seu pai biológico.

O coração dela acelerou.

— Meu pai não era meu pai?

— Era seu pai de criação. E te amava profundamente.

— Isso não responde.

— Eu sei.

Gabriel apertou o volante.

— Seu pai descobriu a verdade quando você tinha poucos meses de vida.

Helena sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— E nunca me contou?

— Porque sua mãe pediu.

— Por quê?

— Porque ela acreditava que, se você soubesse quem era seu verdadeiro pai, sua vida estaria em perigo.

Helena | os .

— Quem é ele?

Gabriel não respondeu.

Ela segurou o braço dele.

— Quem é meu pai?

O carro parou diante de uma pequena casa afastada da cidade.

Gabriel desligou o motor.

— Aqui estaremos seguros.

— Não vou sair desse carro até você me responder.

Ele virou-se para ela.

— Helena, eu prometo que vou contar tudo.

— Hoje?

— Hoje.

Ela o encarou por alguns segundos.

— então comece.

Gabriel saiu do carro.

Ela o acompanha.

Uma casa era simples, mas aconchegante. Uma lareira ocupava uma das paredes da sala. Havia livros, fotografias antigas e móveis de madeira.

Gabriel acendeu algumas luzes.

Helena está perto da porta.

— Essa casa é sua?

— Era do meu avô.

— Ninguém sabe que estamos aqui?

— Ninguém.

Ele tirou o casaco.

Helena percebeu que uma camisa estava molhada pela chuva.

— Você está tremendo.

— Estou bem.

— Não está.

Ela se.

Gabriel segurou a mão dela.

— Você deveria descansar.

— Depois de tudo que descobriu?

Ele de leve.

— Você continua sendo teimoso.

— E você continua escondendo coisas.

Os dois ficaram frente a frente.

O silêncio mudou.

Não era mais apenas tensão.

Havia desejo.

Um desejo que ambos vinham tentando controlar desde o primeiro encontro.

Gabriel tocou o rosto dela.

— Helena…

— Não diga que devemos manter distância.

— Eu ia dizer exatamente isso.

— então não diga.

Ela segurou a camisa dele.

Por um instante, nenhum dos dois se moveu.

Então Gabriel a beijou.

Dessa vez não houve hesitação.

O beijo começou lento, quase cuidadoso, mas rapidamente ganhou intensidade.

Helena passou os braços pelo pescoço dele.

Gabriel a envolvido pela cintura, aproximando-a.

O mundo parecia ter desaparecido.

Não havia passado.

Não havia cartas.

Não havia ameaças.

Só os dois.

Quando se afastaram, Helena encostou a testa na dele.

— Isso complica tudo.

— Muito.

— Você se em?

— Nem por um segundo.

Ela ✅.

— então não pare.

Gabriel voltou a beijá-la.

Com delicadeza, converta-a até perto da lareira.

O calor do fogo contrastava com a chuva fria do lado de fora.

Helena sentiu o coração bater acelerado.

Gabriel tirou uma mecha de cabelo do rosto dela.

— Eu passei anos tentando esquecer você.

Ela ficou surpresa.

— Como poderia tentar esquecer alguém que nem conhecia?

— Porque eu conhecia sua mãe. E sabia que um dia você faria parte da minha vida.

— Você sabia?

— Ela falou muito de você.

Helena ficou emocionada.

— O que ela diz?

Gabriel.

— Que você tinha herdado a coragem dela.

— E você é?

— Agora acredito.

Ela tocou o rosto dele.

— Gabriel, eu tenho medo.

— Eu também.

— De quê?

— De perder você.

As palavras a atingiram profundamente.

Helena o beijou novamente.

Dessa vez, sem medo.

O nome que estava escondido

Mais tarde, sentado diante da lareira, Gabriel abriu uma pasta velha.

Dentro havia documentos.

Helena reconheceu imediatamente a letra da mãe.

— Ela guardou isso aqui?

— Sim.

Gabriel colocou um documento sobre a mesa.

— Leia.

Helena pegou uma folha.

Era um registro antigo.

Seu nome estava escrito.

Helena Valença.

Ela franziu a testa.

— Meu sobrenome sempre foi diferente.

— Exatamente.

Ela� os olhos.

— Valença?

Gabriel assentiu.

— Esse era o sobrenome do seu pai biológico.

Helena voltou ao documento.

Havia um nome abaixo.

Miguel Valença.

— Quem é Miguel Valença?

Gabriel ficou sério.

— Um homem que morreu oficialmente há vinte e nove anos.

Helena soltou a folha.

— Como assim?

— Miguel Valença desapareceu antes de você nascer.

— Então como pode ser meu pai?

— Porque a história oficial não é verdadeira.

Helena sentiu um frio na espinha.

— Ele está vivo?

Gabriel não respondeu.

— Gabriel!

— Eu acredito que sim.

— Onde?

— Não sei.

— Você já o encontrou?

— Uma vez.

Ela ficou bonita.

— Quando?

— Há três anos.

— E por que nunca me conto?

— Porque ele me pediu para não contar.

Helena-se.

— Todo mundo parece decidido o que eu posso ou não saber!

Gabriel também se ser.

— Porque todos acreditávamos que isso salvaria sua vida.

— E agora?

— Agora não podemos mais nos esconder.

Ela caminhou até a janela.

A chuva havia perdido.

— Minha mãe sabia onde ele estava?

— Sabia.

— Meu pai também?

— Sim.

— E Augusto?

Gabriel assentiu.

— Augusto sabia de tudo.

Helena | os .

— Então o pacto era para esconder meu pai verdadeiro.

— Parte dele.

— Existe mais?

— Sim.

Ela virou-se.

Gabriel estava segurando outro documento.

— Sua mãe descobriu que Miguel estava sendo procurado por pessoas perigosas.

— Por quê?

— Porque ele possuía algo que essas pessoas queriam.

— O quê?

Gabriel colocou uma pequena chave sobre a mesa.

— Isso.

Helena �-se.

— Uma chave?

— Não é uma chave comum.

— Para que serve?

— Para abrir um cofre.

— Onde?

Gabriel encarou-a.

— No banco mais antigo da cidade.

Helena respirou fundo.

— E o que existe nesse cofre?

— Uma verdade.

Uma ameaça

Um barulho do lado de fora interrompeu uma conversa.

Gabriel imediatamente apagou as luzes.

— O que foi? — Helena sussurrou.

Ele fez sinal para que ela permanecesse em silêncio.

Passos.

Lentos.

Aproximando-se da casa.

Gabriel pegou o celular e olhou pela janela.

Uma sombra passou diante da porta.

Helena segurou o braço dele.

— É ele?

— Não sei.

A maçaneta começou a se mover.

Gabriel colocou Helena atrás dele.

A porta abrir lentamente.

Mas não havia ninguém.

No chão havia apenas um envelope.

Gabriel pegou.

Na frente estava escrito:

PARA HELENA.

Ela sentiu o estômago revirar.

— Não abra.

Gabriel abriu mesmo assim.

Dentro havia uma fotografia.

Helena ficou pálida.

Era uma imagem recente.

Ela aparecia saindo da escola.

Alguém a havia fotografado.

No verso havia uma mensagem:

“Você está procurando seu pai. Ele também está procurando você.”

Gabrieli os o.

— Isso não pode estar acontecendo.

— Quem tirou essa fotografia?

— Alguém que está nos seguindo.

Helena dizendo medo.

Mas, estranhamente, não queria fugir.

Não agora.

— Então vamos descobrir quem é.

Gabriel interagiu para ela.

— Você não precisa fazer isso.

— Preciso.

Ela segurou a mão dele.

— Passei a vida inteira acreditando em uma mentira. Não vou passar mais um minuto vivendo com medo da verdade.

Gabriel.

— É por isso que sua mãe confiava em você.

Helena �-se.

— E você?

— Eu confio.

Ela o beijou .

— então fique comigo.

Gabriel fechou os olhos por um instante.

— Eu ficarei.

— Mesmo que seja perigoso?

— ! por isso.

Ele a abraçou.

Helena encostou o rosto no peito dele.

Naquele momento, compreendi que o amor e o perigo se misturavam de uma maneira impossível de separar.

Ela não sabia quem era seu verdadeiro pai.

Não sabia quem estava perseguindo sua família.

Não sabia qual era o segredo escondido no cofre.

Mas sabia uma coisa.

Gabriel era o único homem em quem podia confiar.

Ou pelo menos era o que acreditava.

Porque, naquela mesma noite, enquanto Helena dormia no quarto ao lado, Gabriel recebeu uma mensagem no celular.

Apenas uma frase:

“Ela não pode descobrir que você esteve comigo na noite em que Miguel desapareceu.”

Gabriel ficou imóvel.

Olhou para a porta do quarto de Helena.

Depois apagou a mensagem.

Mas não percebi que, atrás dele, a porta estava entreaberta.

E Helena estava acordada.

Ela havia visto tudo.

E, pela primeira vez, uma dúvida começou a crescer dentro dela.

O que Gabriel ainda estava escondido?

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