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Quando o Toque Vira Fogo – Capítulo 2: O Que Não Foi Dito Vira Conflito

Helena não dormiu.

O corpo ainda carregava o calor do que tinha acontecido — ou quase acontecido. Mas não era só desejo que a mantinha acordada. Era inquietação.

Era dúvida.

Era o peso de ter ultrapassado um limite que ela sempre jurou que nunca cruzaria.

E pior…

Era o silêncio de Miguel depois.

Ele não a procurou.

Não mandou mensagem.

Não apareceu.

Como se nada tivesse acontecido.

E aquilo… doía mais do que deveria.

O orgulho que fere

Na manhã seguinte, Helena entrou no prédio tentando manter a postura. Rosto firme, olhar controlado, passos decididos.

Mas por dentro… tudo estava bagunçado.

Ela não sabia o que esperar.

Só sabia que precisava vê-lo.

Quando entrou na sala de reuniões, o coração disparou.

Miguel já estava lá.

Sentado.

Conversando.

Rindo.

E não estava sozinho.

Uma mulher estava ao lado dele.

Loira, elegante, confiante demais.

Helena sentiu o estômago apertar.

— Bom dia — disse, tentando soar normal.

Miguel levantou o olhar.

E por um segundo… só um segundo… houve algo ali.

Reconhecimento.

Tensão.

Mas desapareceu rápido demais.

— Bom dia, Helena.

Frio.

Distante.

Profissional.

Como se a noite anterior não tivesse existido.

Aquilo foi como um golpe.

— Essa é a Camila — ele continuou. — Vai trabalhar conosco por um tempo.

Camila sorriu.

— Prazer.

Helena forçou um sorriso de volta.

Mas por dentro… algo já estava queimando.

Ciúmes.

Rápido.

Intenso.

Incontrolável.

O que incomoda revela

A reunião começou.

Helena tentou focar.

Tentou ouvir.

Tentou ignorar.

Mas era impossível.

Miguel e Camila trocavam olhares.

Conversavam próximos.

Riam baixo.

E cada detalhe parecia aumentar algo dentro dela.

Aquilo não fazia sentido.

Ela não tinha direito.

Não tinha espaço.

Mas sentia.

E sentia forte demais.

Quando a reunião terminou, todos começaram a sair.

Menos Helena.

Menos Miguel.

E… Camila.

— Então, Miguel, depois a gente continua aquilo — disse Camila, tocando de leve o braço dele.

Helena viu.

E aquilo foi o suficiente.

Camila saiu.

A porta se fechou.

E o silêncio voltou.

Mas não era o mesmo silêncio de antes.

Esse era pesado.

Carregado.

Perigoso.

Helena não conseguiu segurar.

— Aquilo?

Miguel a olhou.

— O quê?

— “A gente continua aquilo” — ela repetiu, cruzando os braços. — O que exatamente vocês têm pra continuar?

Ele franziu levemente a testa.

— Isso não é da sua conta.

A resposta veio direta.

Sem suavizar.

Sem cuidado.

E foi exatamente isso que acendeu tudo.

— Não é da minha conta? — ela riu, sem humor. — Engraçado… ontem parecia que era.

O olhar dele mudou.

Mais sério.

Mais fechado.

— Ontem foi um erro.

As palavras caíram como uma lâmina.

Helena sentiu.

Mas não recuou.

— Foi? Porque não parecia.

— Não deveria ter acontecido.

— Mas aconteceu.

Silêncio.

Tensão.

Eles estavam frente a frente novamente.

Mas dessa vez… não havia suavidade.

Só confronto.

O ciúmes que explode

Helena deu um passo à frente.

— E hoje você simplesmente age como se nada tivesse acontecido… e ainda fica de risinho com outra na minha frente?

— Você está exagerando.

— Eu estou? — a voz dela subiu. — Ou você está fingindo que não aconteceu porque é mais conveniente?

Miguel respirou fundo, tentando manter o controle.

— Helena, isso não pode virar algo maior.

— Já virou.

A resposta veio rápida.

Crua.

Sincera.

E perigosa.

Ele passou a mão no cabelo, visivelmente irritado.

— Você sabe que isso é complicado.

— Não. Você decidiu que é.

— É trabalho.

— E daí?

— E daí que não dá pra misturar.

Ela riu.

Amargo.

— Engraçado… porque você não pensou nisso ontem.

O silêncio caiu pesado entre eles.

Miguel se aproximou.

Mas agora não havia suavidade no gesto.

Havia tensão.

— Você está com ciúmes.

Ele disse baixo.

Quase provocando.

Helena travou.

Mas não negou.

Porque não dava mais.

— E se eu estiver?

O olhar dele escureceu.

— Não deveria.

Aquilo foi o suficiente.

— Claro… — ela soltou, magoada. — Você pode fazer o que quiser. Eu não.

— Não é isso.

— Então o que é?

Ele hesitou.

Por um segundo.

Mas foi o suficiente.

Helena percebeu.

Ele não tinha resposta.

Ou não queria dar.

E isso doeu mais do que qualquer coisa.

O que ninguém consegue controlar

Ela virou o rosto.

Respirou fundo.

Mas não conseguiu ir embora.

Porque, no fundo…

Ela ainda queria uma resposta diferente.

— Me diz uma coisa — ela falou, mais baixo agora. — Ontem… significou alguma coisa pra você?

Miguel ficou em silêncio.

E aquele silêncio…

Respondeu tudo.

Helena assentiu devagar.

Engolindo o que sentia.

— Entendi.

Ela deu um passo para trás.

— Fica tranquilo… não vai se repetir.

A voz dela saiu firme.

Mas por dentro…

Tudo estava quebrando.

Miguel a observou.

Algo nele mudou.

Mas tarde demais.

— Helena…

Ela levantou a mão.

Impedindo.

— Não.

Silêncio.

— Você já deixou claro.

Ela se virou.

Foi até a porta.

Segurou a maçaneta.

E antes de sair, disse sem olhar para trás:

— Só tenta não repetir com a próxima o que você fez comigo.

A porta se abriu.

E se fechou.

Forte.

Miguel ficou sozinho.

Mas o problema…

Não tinha terminado.

Porque, pela primeira vez…

Ele não estava no controle.

E lá fora…

Helena também não.

Porque o que eles estavam tentando negar…

Só estava começando a crescer.

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