Miguel nunca foi um homem indeciso.
Sempre soube o que queria. Sempre escolhi rápido. Sempre tive controle.
Até agora.
Porque, pela primeira vez… ele não sabia.
Helena.
Camila.
Duas mulheres completamente diferentes.
E, de alguma forma, as duas tinham conseguido mexer com ele de um jeito que ninguém nunca tinha conseguido.
E isso… o desestabilizava.
O que ele tenta negar
Ele estava sentado sozinho, olhando o copo para a frente, mas sem realmente ver.
A mente voltava.
Sempre voltava.
Helena saindo pela porta.
O olhar dela.
Uma decepção.
A forma como ela disse que ele não sabia sentir.
Aquilo tinha ficado.
Mais do que ele queria admitir.
— Você sumiu.
A voz de Camila o retira de volta.
Ela se sentou ao lado dele, elegante como sempre, segura, confiante… como se nada fosse complicado.
Como se tudo fosse simples.
— Só estava pensando — ele respondeu.
— Em mim?
Ela, provocando.
Miguel não respondeu de imediato.
E isso… já foi uma resposta.
Camila inclinou a cabeça, observando.
— Ou?
Silêncio.
Direto demais.
Mas verdadeiro demais para ser ignorado.
O que é fácil e o que é real
Camila cruzou as pernas, mantendo uma postura impecável.
— Você é complicado demais para alguém que sempre foi tão direto.
— Talvez eu nunca tenha precisado escolher antes.
— Ou talvez você nunca tenha sentido de verdade — ela retrucou, sem perder o tom leve.
Aquilo o quarto.
Porque era exatamente o que Helena tinha aqui.
E, pela primeira vez…
Ele não tinha certeza de que estava errado.
— Com você é simples — ele disse.
Camila arqueou uma sobrancelha.
— Isso é bom… ou ruim?
— É leve. Não há cobrança. Não há conflito.
Ela ✅.
— Isso porque você não me conhece o suficiente.
Mas o olhar dela dizia outra coisa.
Dizia que ela sabia exatamente o papel que estava ocupando.
E não se incomodava com isso.
— E com ela? — Camila perguntou, agora mais série.
Miguel passou a mão no rosto.
— Com ela… nada é simples.
O que prende de verdade
Helena não saiu da cabeça dele.
Não por causa da discussão.
Mas por causa do que sentido.
Da forma como o corpo reagiu.
Da forma como ela reagiu.
Não foi leve.
Não foi fácil.
Foi intenso.
Descontrolado.
E perigoso.
Mas era real.
Muito real.
— Então por que você não vai atrás dela? — Camila perguntou.
A pergunta ficou no ar.
Simples.
Direta.
É difícil demais de responder.
— Porque ela não vai aceitar um pouco.
Camila de lado.
— E você só sabe oferecer um pouco?
Miguel ficou em silêncio.
E isso…
Doía mais do que qualquer resposta.
O medo de cemento
Ele sabia.
Se fosse atrás de Helena… teria que mudar.
Se posicionar.
Sentir.
Se exportar.
E isso não faz parte de quem ele sempre foi.
Mas com Camila…
Era fácil.
Sem cobrança.
Sem entrega profunda.
Sem risco.
Talvez fosse isso que o incomodava.
Porque, pela primeira vez…
O fácil parecia vazio.
O encontro inesperado
No dia seguinte, tudo complicou ainda mais.
Miguel entrou no prédio e viu.
Helena.
Sem corretor.
Conversando com um homem.
Rindo.
Leve.
Bonita.
Distante.
Como se nada tivesse acontecido.
Como se ele… não teve importância.
O peito dele apertou.
De um jeito que ele não esperava.
Não gostei.
Nem um pouco.
Ela virou o rosto.
Os olhos se encontraram.
E, por um segundo…
Tudo voltou.
Mas Helena quebrou o contato.
Virou.
Continuou andando.
Sem parar.
Sem hesitar.
Aquilo foi pior do que qualquer briga.
O que ele sente e não entende
Miguel ficou parado.
Observando.
Algo dentro dele apertou.
Forte.
E então ele entendeu.
Não era só desejo.
Não era só atração.
Era algo mais.
Algo que ele não sabia nomear.
Mas sabia que não queria perder.
E, ao mesmo tempo…
Também não queria abrir a mão do conforto que tinha com Camila.
— Isso é ridículo… — ele murmurou para si mesmo.
Mas era verdade.
Ele queria as duas.
De formas diferentes.
Por motivos diferentes.
E isso… não era justo.
Mas era real.
O ponto de decisão que se aproxima
Naquela noite, ele não conseguiu fugir.
Não expor.
Porque agora ele sabia:
Não dava mais para manter as duas histórias abertas.
Não dava para continuar no meio.
Não dava para não escolher.
Porque, de um jeito ou de outro…
Alguém ia sair almofadada.
E talvez…
Ele também.
Miguel respirou fundo.
Passou a mão no cabelo.
E encarou a própria realidade:
Pela primeira vez na vida…
Ele não estava no controle.
E o pior…
Era que, no fundo…
Ele já sabia.
A escolha não era sobre quem era mais fácil.
Era sobre quem ele não conseguia esquecer.
E isso…
Era exatamente o que mais o assustava.




