Quando o Toque Vira Fogo – Capítulo 6: Entre Dois Mundos

Miguel nunca imaginou que uma simples caminhada pudesse virar um campo de batalha.

Mas naquele fim de tarde…virou.

O trânsito estava lento. Pessoas iam e vinham. O som da cidade preenchia tudo. E, ainda assim, dentro dele… só havia silêncio.

Até ela aparecer.

O impacto que desarma

Helena surgiu do outro lado da rua.

Como se o mundo tivesse decidido testá-lo.

Vestido ajustado ao corpo, marcando cada curva com elegância e provocação na medida exata. O tecido leve acompanhava o movimento dela, e o salto firme dava um ritmo hipnotizante aos passos.

Mas não era só isso.

Era o jeito.

O olhar.

Uma postura.

Helena não estava tentando impressionar.

Ela simplesmente… era.

E isso se tornou impossível de ignorar.

Miguel parou.

Literalmente.

O coração bateu mais forte.

O corpo reagiu como sempre reagia perto dela.

Instinto.

Desejo.

Algo mais profundo.

Mais perigoso.

— Não pode ser… — ele murmurou baixo.

Mas era.

Ela estava ali.

Real.

Viva.

E… distante.

O detalhe que enlouquece

O vento leve bagunçou os cabelos dela.

Encaracolados.

Soltos.

Indomáveis.

Perfeitos.

Miguel passou a mão no rosto, tentando se recompor.

Mas era impossível.

Porque cada detalhe dela parecia ter sido feito para provocá-lo.

Para lembrá-lo.

Para terr tudo de novo.

E então…

Ela riu.

Conversando com alguém ao lado.

Leve.

Solta.

Como se não carregasse nada.

Como se ele… não existe.

Aquilo apertou.

Mais do que deveria.

Muito mais.

O outro lado da escolha

E foi quando ele virou o rosto…

Que viu.

Camila.

Do outro lado da rua.

Como se o destino estivesse brincando com ele.

Vestido claro, elegante, cabelo loiro perfeitamente alinhado, postura firme, olhar seguro.

Linda.

Impecável.

Irresistível.

Mas de outro jeito.

Camila não era intensidade.

Controle de era.

Era segurança.

Era conforto.

E ali estava ela… olhando diretamente para ele.

Diferente de Helena.

Camila não é.

Não ignore.

Ela sustentou o olhar.

Como se já soubesse.

Como se já entendesse o jogo.

O momento que divide tudo

Miguel ficou no meio.

Literalmente.

De um lado… Helena.

Faça outro… Camila.

E, pela primeira vez…

Ele conta.

De verdade.

O peso da escolha.

O corpo reagia para Helena.

O coração acelerava.

O olhar não queria sair dela.

Mas a mente…

A mente puxava para Camila.

Para o fácil.

Para o seguro.

Para o que não tanto.

— Isso não é possível… — ele soltou, passando a mão no cabelo.

Mas era.

E estava acontecendo agora.

O desejo que não obedece

Helena atravessou a rua.

Sem olhar para ele.

Sem.

Ou fingindo não percebido.

O vestido marcava cada movimento.

Cada passo.

Cada detalhe.

E aquilo…

Mexia com ele de um jeito que ele não consegue controlar.

Era física.

Era intenso.

Era… êxtase.

Enquanto isso, Camila se aproxima também.

Calma.

Elegante.

Segura.

Como se já tivesse decidido por ele.

O confronto

As duas se aproximavam.

Em direções preparadas.

Sem saber.

Sem.

Ou talvez…

Percebendo mais do que demonstravam.

Miguel ficou ali.

Parado.

Preso.

Porque qualquer movimento…

Seria uma escolha.

E ele não estava pronto.

Ainda não.

O caos dentro dele

O coração dizia uma coisa.

A razão diz outra.

O corpo…outra completamente diferente.

E, pela primeira vez…

Ele não conseguiu alinhar nada.

Helena passou por ele.

Tão perto…

Que o perfume dela ficou no ar.

Miguel fechou os olhos por um segundo.

E aquilo foi suficiente.

Tudo voltou.

O toque.

O olhar.

O jantar.

O que ele sentiu.

O que ele tentou negar.

E o que nunca foi embora.

O olhar que prende

Ela pariu.

Por um segundo.

Virou cintil o rosto.

E.

Direto.

Nos olhos dele.

Sem.

Sem amaciante.

Sem esconder.

Aquilo foi intenso.

Cru.

E cheio de significado.

Mas, antes que qualquer coisa aconteçasse…

Ela seguir.

apenas para trás…

Um rastro de tudo que ele não conseguiu esquecer.

O contraste que confunde

— Você vai ficar aí parado? — a voz de Camila veio logo depois.

Miguel abriu os olhos.

Ela já estava perto.

Muito perto.

O olhar dela era firme.

Mas havia algo ali.

Curiosidade.

Desafio.

Talvez… disputa.

— Eu estava te esperando — ela disse, como se aquilo fosse óbvio.

Ele não respondeu.

Porque não sabia.

Não sabia mais o que dizer.

Não sabia mais o que queria dizer.

O que ele não foi bem

Miguel preparado para frente.

Helena já estava distante.

Mas ainda visível.

Ainda presente.

Ainda… mexendo com tudo.

E então ele olhou para Camila.

Linda.

Próxima.

Disponível.

Real.

Ali.

Ágora.

Duas realidades.

Duas escolhas.

Duas formas de sentir.

E ele…

Querendo as duas.

— Você está pensando nela — Camila disse, direta.

Ele não negou.

Não dava mais.

— E mesmo assim você está aqui — ela completou.

Silêncio.

O ponto de ruptura que se aproxima

Miguel respirou fundo.

E finalmente disse:

— Eu não sei escolher.

Camila cruzou os braços.

— Então talvez você perca as duas.

Aquilo ficou.

Pesado.

Verdadeiro.

Perigoso.

E, pela primeira vez…

Ele afirma medo.

Porque agora…

Não era mais sobre quem ele queria.

Era sobre quem estaria disposto a ficar.

E quem… iria embora de vez.

E ele sabia.

Se não agasse logo…

Não seria uma escolha.

Seria uma perda.

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