🎲 Capítulo 1: O Trato de Veneza
Veneza, para Vera, 29 anos, deveria ser o ápice de sua carreira. Ela era uma talentosa arquiteta paisagista, contratada para restaurar os jardins de um palazzo histórico. Mas a cidade dos canais parecia apenas um cenário dramático para o homem que controlava tudo: Dante Rossi.
Dante, 35 anos, não era apenas um comerciante; era uma força da natureza no submundo do luxo. Ele herdou um império que ia de hotéis-boutique na Riviera a valiosos itens de arte e antiguidades, e era conhecido na elite italiana como “O Colecionador”. Seu poder era silencioso, mas absoluto, e seu charme, lendário. Alto, com a barba sempre bem-feita, olhos cor de avelã que pareciam analisar cada pessoa e um sorriso preguiçoso que escondia uma mente implacável, ele era o tipo de homem que usava seu magnetismo como arma.
A reputação de Dante era clara: ele era um conquistador que nunca se apegava. As mulheres entravam e saíam de sua vida com a mesma facilidade que ele trocava de terno. Ele as desejava, as possuía, e as dispensava sem drama. Relações para ele eram passatempos, nunca compromissos.
Vera sentiu a atração fatal no primeiro aperto de mão. O aperto dele era quente, firme e transmitia uma confiança que a deixou momentaneamente sem ar.
“Bem-vinda a Veneza, Signorina,” Dante disse, sua voz um sussurro grave e ligeiramente rouco, com o sotaque italiano sensual. “Espero que o senhorio do meu palazzo a inspire.”
Vera tentou manter o foco. “O prazer é meu, Sr. Rossi. O projeto é extraordinário. Meus desenhos estão prontos para sua aprovação.”
“Excelente,” ele respondeu, mas seus olhos cor de avelã não estavam nos desenhos. Estavam nela. “Mas o trabalho pode esperar uma taça de vinho. Permita-me mostrar o terraço. É o melhor lugar para ver o pôr do sol sobre o Grande Canal.”
E assim começou a dança proibida.
Dante não a cortejou com flores; ele a cortejou com atenção. Ele falava sobre a história de Veneza, sobre a arte e a complexidade do mundo, e a fazia sentir que suas opiniões eram as únicas que importavam. Ele a via não apenas como a arquiteta, mas como uma mulher fascinante.
Em uma noite, enquanto jantavam em um restaurante isolado, ele foi direto, com a sinceridade brutal que o tornava tão perigoso.
“Você é linda, Vera. E inteligente. Vejo que você não é como as outras que circulam por aqui. Você tem alma.” Ele pousou a mão sobre a dela, o calor do toque dela queimando a pele de Vera. “Mas devo ser honesto. Não sou um homem de laços. O que eu ofereço é intenso, mas temporário. Eu não me prendo. E eu nunca permito que o trabalho se misture com a vida pessoal. O que você escolher acontecerá nas sombras.”
Vera, que se apaixonara perdidamente pela complexidade, pela inteligência e pelo poder contido dele, sentiu um frio no estômago. Ele estava dando o aviso: ele a conquistaria, mas nunca a amaria.
“Eu entendi o trato, Sr. Rossi,” ela sussurrou, a coragem vindo do desejo. “Eu me encarrego do jardim. E o resto… será apenas um contrato de verão.”
Mentira. Ela sabia que estava se jogando em uma fogueira, esperando secretamente ser a única a derretê-lo.
🍷 Capítulo 2: A Faca de Dois Gumes
O caso deles foi uma torrente de paixão escondida. Os encontros eram secretos, no palazzo silencioso, após o anoitecer. Dante era um amante exigente e atencioso, explorando a paixão que a seriedade profissional de Vera escondia. Ele a levava a um nível de desejo que ela nunca soubera que existia.
Mas a regra dele era de ferro. Durante o dia, no canteiro de obras, ele era Dante Rossi, o empregador. Frio, formal e distante.
Essa dualidade começou a consumir Vera. Ela o amava. E o via voltando aos seus velhos hábitos: encontros rápidos com outras mulheres, olhares de posse de outras amantes. Ela era apenas mais uma joia em sua coleção de passatempos.
Em uma noite, Vera o confrontou na biblioteca do palazzo.
“Você me disse que sou diferente,” ela acusou, a voz tensa. “Mas você me trata como qualquer outra. Eu sou sua arquiteta de dia e seu brinquedo à noite. Estou farta do seu ‘trato’, Dante.”
Ele estava folheando um livro antigo, mas seus olhos a fixaram com a frieza de um predador.
“Você está violando a regra, Vera,” ele respondeu, a voz perigosamente baixa. “Você está desenvolvendo apegos. Eu avisei. Você é uma mulher adulta, capaz de fazer escolhas.”
“Você não sente nada?” ela implorou, a vulnerabilidade rasgando sua armadura. “Tudo o que aconteceu entre nós… foi só uma conquista?”
Dante fechou o livro com um estalo seco. Ele se levantou, aproximando-se dela, a sombra dele a cobrindo. Ele era lindo e terrível.
“O que eu sinto é atração, Vera. Forte. Avassaladora. Mas eu não permito que a emoção controle minha vida. O amor é uma fraqueza que eu não posso ter. Meu mundo é muito perigoso para isso.”
Ele a beijou. Um beijo que não era de amor, mas de pura posse e desejo. Ele queria lembrá-la do que ela estava perdendo.
“Você é minha enquanto estiver aqui, Signorina,” ele sussurrou contra a boca dela. “Não confunda a minha atração com promessas. Você sabia o jogo.”
Vera sabia que ele estava certo. Ele era um homem de palavra, inclusive na sua falta de coração. Ela era apenas uma jogadora que apostou mais do que podia pagar. A paixão que sentia era ardente, mas era uma faca de dois gumes: o prazer era imenso, mas a dor de saber que ele nunca a amaria seria a sua ruína.
Naquele verão veneziano, Vera aprendeu a lição mais dolorosa: às vezes, o amor bandido e a paixão mais forte não são suficientes para quebrar o coração blindado de um conquistador que não quer ser conquistado. E ela teria que decidir se valia a pena continuar no jardim secreto, sabendo que ele a deixaria assim que a estação terminasse.

