Aquele Homem Não Deveria Me Olhar Assim

Capítulo 3 — O Toque Que Desperta

Eu 1i a porta.

Mas não era a porta da casa.

Era como se eu estivesse tentando fechar algo dentro de mim — e não estava funcionando.

Minhas mãos ainda tremiam.

Meu coração ainda batia rápido demais.

E essa frase…

“O dia em que você quase morreu.”

Ecoava.

Sem parar.

Sem dar espaço para mais nada.

Eu encostei as costas na porta, deslizando devagar até sentar no chão frio. O silêncio da casa agora parecia diferente. Não era mais confortável.

Era pesado.

Cheio.

Como se algo tivesse sido ativado.

— Isso não é real… — sussurrei, levando a mão à cabeça.

Mas então…

Veio.

De novo.

Um flash.

Água.

Fria.

Escura.

Meu corpo pensando.

O desespero de tentar respirar e não conseguir.

— Não… — levei a mão à boca.

Meu corpo reagiu na hora.

Como se estivesse vivendo aquilo de novo.

Como se fosse agora.

Eu levantei rápido demais, tonta, indo até a pia da cozinha. Abra a torneira e joguei água no rosto.

Respira.

Respira.

Respira.

Mas não adiantava.

Porque agora não era só sensação.

Era ™.

Fragmentada.

Quebrada.

Mas real.

— O que você fez comigo… — murmurei, sem saber se falava dele… ou de quem quer que tivesse apagado aquilo.

O celular vibrou.

Eu congelei.

Olá devagar.

Número desconhecido.

De novo.

Mas dessa vez…

Eu já sabia.

Atendi.

— O que você quer? — minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria.

Silêncio do outro lado.

Mas eu sabia que ele estava ali.

— Você está lembrando — ele disse, finalmente.

Fechei os olhos.

— Eu morri?

— Sim.

A resposta veio sem hesitação.

Sem amaciante.

Sem proteger.

— Como?

Silêncio.

Longo.

Pesado.

— Não assim.

— Não assim o quê?

— Não por telefone.

Meu estômago revirou.

— então vem aqui.

As palavras ditas antes que eu pudesse pensar.

E, no mesmo instante…

Eu me arrependi.

Silêncio.

E então…

— Tem certeza?

Não.

Eu não tinha.

Mas mesmo assim…

— Tenho.

eu.

Fiquei parada.

O celular ainda na mão.

O coração disparado.

— Você está ficando louca… — murmurei.

Mas lá no fundo…

Eu sabia.

Não era loucura.

Era verdade demais.

A– não demorou.

Dessa vez…

Eu não hesitei tanto.

Abri.

E ele estava ali de novo.

Mas agora…

Tudo parecia mais intenso.

Mais próximo.

Mais ávido.

Ele entrou.

Sem pedir.

Sem esperar.

E eu não impedi.

Erro.

Grande erro.

A porta foi fechada atrás dele.

O som ecoou.

Definitivo.

Por alguns segundos…

Ninguém falou nada.

A tensão ocupava todo o espaço.

— Me conta — eu disse, tentando manter alguma força. — O que aconteceu comigo?

Ele me observou.

Mais sério do que antes.

Mais… †.

— Eu não posso contar tudo.

— Então começa por alguma coisa!

Minha voz falhou.

— Eu preciso saber.

Ele respirou fundo.

Passou a mão no cabelo.

Claramente lutando com algo interno.

— Você caiu na água.

Meu corpo travou.

— Onde?

— Não importa.

— Importa sim!

Ele se.

Devagar.

Cuidado.

Como se cada passo calculado fosse.

— O que importa… é que você não saiu sozinho.

Meu coração disparou.

— Quem me tirou?

Silêncio.

Ele parou bem na minha frente agora.

Perto demais.

– UE.

O mundo parou.

— Você?

Ele assentiu.

— Você estava desacordada.

Minha respiração ficou irregular.

— E…?

Ele hesitou.

Pela primeira vez, claramente.

— E você me chamou.

Um arrepio percorreu meu corpo inteiro.

— Eu não te conhecia.

— Conhecia.

— Como?!

Minha voz subiu.

Desesperada.

Confusa.

— Isso é o que você ainda não lembra.

O silêncio caiu pesado entre nós.

Eu tentei pensar.

Organizar.

Mas tudo estava embaralhado.

— Então por que eu esqueci? — querido, mais baixo.

Ele se olha.

— Porque foi melhor assim.

— Pra quem?

Ele não respondeu.

— PRA QUEM? — repeti, agora sem controle.

Ele voltou a me olhar.

E dessa vez…

Havia algo ali.

Algo mais escuro.

Mais perigoso.

— Pra te manter viva.

O ar sumiu dos meus.

— Viva de quê?

Silêncio.

De novo.

Sempre esse silêncio.

— Você vai continuar escondendo?

— Estou tentando te proteger.

— Me protegendo de quê?!

voz saiu quebrada.

E então…

Ele fez algo que eu não esperava.

Ele tocou meu braço.

Foi leve.

Mas foi suficiente.

Meu corpo inteiro reagiu.

Um choque.

Não de dor.

De-.

Eu acredito no ar com força.

— Não…

As imagens vieram.

Mais rápidas agora.

Mais claras.

Água.

Gritos.

Correria.

E ele.

Ali.

Eu.

Me puxando.

Eu também.

— Olha pra mim — ele disse, firme.

Eu não queria.

Mas.

Erro.

Sempre erro.

Porque instante…

Tudo ficou mais intenso.

— Você confia em mim? — ele disse.

Eu ri.

Sem humor.

— Eu nem sei quem você é.

Ele se estabeleceu ainda mais.

Agora não havia mais espaço entre nós.

— Mas sente.

Meu coração disparou.

— Isso não significa nada.

— Significa tudo.

O jeito que ele disse aquilo…

Meu corpo traiu.

De novo.

— Você não deve estar aqui — murmurei.

— Eu sei.

— div por que está?

Ele levou a mão até meu rosto.

Devagar.

Como se tivesse medo.

Como se não tivesse o direito.

Mas mesmo assim…

Tocou.

E dessa vez…

Eu não recuei.

Erro.

Cova.

Erro.

Porque quando ele encostou em mim…

Eu levantei.

Nem tudo.

Mas o suficiente.

A sensação de estar nos braços dele.

A voz dele me kink.

O desespero.

A urgência.

— Você… — minha voz saiu em uma sussurrada — você não me deixou morrer.

Ele fechou os olhos por um segundo.

— Não.

Meu coração apertou.

— Por quê?

Ele os olhos.

E havia dor ali.

Real.

— Porque eu não poderia perder você de novo.

O mundo parou.

— De novo?

Silêncio.

Pesado.

Final.

E um instante…

Eu entendi.

Aquilo era o ponche.

Era uma continuação.

E eu…

Eu tinha esquecido tudo.

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