Capítulo 9 – Entre o Amor e o Perigo
Aquela noite não terminou quando eles adormeceram.
Ela continuou.
Na pele.
Na memória.
Na respiração.
Isabela acordou devagar.
Sem abrir os olhos.
Sentindo.
O braço dele ao redor do corpo dela.
O calor.
A proximidade.
Real.
Intenso.
Seguro.
O coração dela bateu mais forte.
Calmo…
Mas cheio.
Ela virou o rosto lentamente.
E encontrou ele ali.
Dormindo.
Sereno.
Tranquilo.
Tão diferente do homem dominante que ela conhecia.
E aquilo…
Desarmou ela completamente.
Ela sorriu.
Sem medo.
Sem defesa.
A mão subiu devagar…
tocando o peito dele.
Como se precisasse confirmar.
Era real.
— Você me bagunçou… — sussurrou.
Mas não havia arrependimento.
Só verdade.
Só entrega.
Os dias seguintes foram diferentes.
Mais leves.
Mais intensos.
Mais perigosos.
Porque agora…
Não havia mais distância.
Não havia mais jogo.
Eles estavam dentro daquilo.
Completamente.
Isabela voltou à rotina.
Ao trabalho.
À vida de antes.
Mas nada parecia igual.
Tudo parecia pequeno.
Sem cor.
Sem intensidade.
Porque agora…
Ela sabia o que era sentir de verdade.
E Rafael…
Ele estava em tudo.
Em cada pensamento.
Em cada pausa.
Em cada respiração.
Uma mensagem.
Um olhar.
Uma lembrança.
Sempre ali.
Sempre presente.
Como se nunca tivesse ido.
E ela…
Não conseguia mais fugir.
Nem queria.
Era como viver um sonho.
Daqueles perigosos.
Que a gente sabe que pode acabar…
Mas mesmo assim…
não quer acordar.
Até que…
Tudo mudou.
Naquela tarde…
Isabela esperava.
Celular na mão.
Coração inquieto.
Já fazia horas.
Horas demais.
E nada.
Nenhuma mensagem.
Nenhuma ligação.
Nenhum sinal.
— Ele deve estar ocupado…
A tentativa de se acalmar não funcionou.
Porque havia algo ali.
Um incômodo.
Um aviso silencioso.
O tempo passou.
E o silêncio ficou mais pesado.
Mais difícil de ignorar.
E então…
Os pensamentos vieram.
E se tudo aquilo…
Não tinha significado o mesmo?
O peito apertou.
Forte.
Dolorido.
— Não… — ela sussurrou.
Mas já era tarde.
A dúvida já tinha entrado.
E crescia rápido.
Pesada.
Cruel.
Naquela noite…
Ela não dormiu.
Virou de um lado para o outro.
Revivendo tudo.
Cada olhar.
Cada toque.
Cada palavra.
Cada momento que parecia real…
Agora parecia dúvida.
Ela fechava os olhos…
E ele estava lá.
Abría…
E o vazio voltava.
O silêncio doía.
Mais do que qualquer ausência.
Mais do que qualquer verdade.
Porque o silêncio…
faz a mente criar respostas
que o coração não suporta.
O dia amanheceu pesado.
Cinza.
Isabela estava diferente.
Mais fechada.
Mais fria.
Como se tentasse se proteger…
de algo que ainda não entendia.
Mas sentia.
No fundo…
Algo tinha dado errado.
Muito errado.
Enquanto isso…
Longe dali…
Rafael lutava.
O corpo ferido.
O sangue recente.
A respiração difícil.
Tudo aconteceu rápido.
Uma emboscada.
Rivais.
Tiros.
Caos.
E agora…
Ele estava entre a vida e a morte.
Imóvel.
Mas não vencido.
A mente ainda ativa.
Fraca…
mas resistente.
E no meio de tudo…
Só uma imagem permanecia.
Isabela.
O rosto dela.
O olhar.
O toque.
— Fica… — murmurou.
Quase sem voz.
Mas ela não estava ali.
E nem sabia.
Não sabia da dor.
Não sabia do sangue.
Não sabia da guerra.
Ela só sentia…
o abandono.
E aquilo…
Doía mais do que qualquer tiro.
Os dias passaram.
Lentos.
Pesados.
Confusos.
De um lado…
Um homem lutando para sobreviver.
Do outro…
Uma mulher tentando entender
por que foi deixada.
E no meio disso…
Um amor forte demais…
Sendo colocado à prova.
Porque às vezes…
O maior inimigo não é o perigo.
É o silêncio.
E aquele silêncio…
Estava prestes a mudar tudo.




