đŸ”„ SOB O DOMÍNIO DO DESEJO đŸ”„

Capítulo 9 – Entre o Amor e o Perigo

Aquela noite nĂŁo terminou quando eles adormeceram.

Ela continuou.

Na pele.
Na memĂłria.
Na respiração.

Isabela acordou devagar.

Sem abrir os olhos.

Sentindo.

O braço dele ao redor do corpo dela.
O calor.
A proximidade.

Real.
Intenso.
Seguro.

O coração dela bateu mais forte.

Calmo

Mas cheio.

Ela virou o rosto lentamente.

E encontrou ele ali.

Dormindo.

Sereno.
Tranquilo.

TĂŁo diferente do homem dominante que ela conhecia.

E aquilo


Desarmou ela completamente.

Ela sorriu.

Sem medo.

Sem defesa.

A mão subiu devagar

tocando o peito dele.

Como se precisasse confirmar.

Era real.

— VocĂȘ me bagunçou
 — sussurrou.

Mas nĂŁo havia arrependimento.

SĂł verdade.

SĂł entrega.

Os dias seguintes foram diferentes.

Mais leves.
Mais intensos.
Mais perigosos.

Porque agora


NĂŁo havia mais distĂąncia.

NĂŁo havia mais jogo.

Eles estavam dentro daquilo.

Completamente.

Isabela voltou Ă  rotina.

Ao trabalho.
À vida de antes.

Mas nada parecia igual.

Tudo parecia pequeno.

Sem cor.

Sem intensidade.

Porque agora


Ela sabia o que era sentir de verdade.

E Rafael


Ele estava em tudo.

Em cada pensamento.
Em cada pausa.
Em cada respiração.

Uma mensagem.
Um olhar.
Uma lembrança.

Sempre ali.

Sempre presente.

Como se nunca tivesse ido.

E ela


NĂŁo conseguia mais fugir.

Nem queria.

Era como viver um sonho.

Daqueles perigosos.

Que a gente sabe que pode acabar


Mas mesmo assim

nĂŁo quer acordar.

Até que


Tudo mudou.

Naquela tarde


Isabela esperava.

Celular na mĂŁo.

Coração inquieto.

JĂĄ fazia horas.

Horas demais.

E nada.

Nenhuma mensagem.
Nenhuma ligação.
Nenhum sinal.

— Ele deve estar ocupado


A tentativa de se acalmar nĂŁo funcionou.

Porque havia algo ali.

Um incĂŽmodo.

Um aviso silencioso.

O tempo passou.

E o silĂȘncio ficou mais pesado.

Mais difĂ­cil de ignorar.

E então


Os pensamentos vieram.

E se tudo aquilo

NĂŁo tinha significado o mesmo?

O peito apertou.

Forte.
Dolorido.

— Não
 — ela sussurrou.

Mas jĂĄ era tarde.

A dĂșvida jĂĄ tinha entrado.

E crescia rĂĄpido.

Pesada.
Cruel.

Naquela noite


Ela nĂŁo dormiu.

Virou de um lado para o outro.

Revivendo tudo.

Cada olhar.
Cada toque.
Cada palavra.

Cada momento que parecia real


Agora parecia dĂșvida.

Ela fechava os olhos

E ele estava lĂĄ.

Abría

E o vazio voltava.

O silĂȘncio doĂ­a.

Mais do que qualquer ausĂȘncia.

Mais do que qualquer verdade.

Porque o silĂȘncio


faz a mente criar respostas
que o coração não suporta.

O dia amanheceu pesado.

Cinza.

Isabela estava diferente.

Mais fechada.
Mais fria.

Como se tentasse se proteger

de algo que ainda nĂŁo entendia.

Mas sentia.

No fundo


Algo tinha dado errado.

Muito errado.

Enquanto isso


Longe dali


Rafael lutava.

O corpo ferido.
O sangue recente.
A respiração difícil.

Tudo aconteceu rĂĄpido.

Uma emboscada.
Rivais.
Tiros.
Caos.

E agora


Ele estava entre a vida e a morte.

ImĂłvel.

Mas nĂŁo vencido.

A mente ainda ativa.

Fraca

mas resistente.

E no meio de tudo


SĂł uma imagem permanecia.

Isabela.

O rosto dela.
O olhar.
O toque.

— Fica
 — murmurou.

Quase sem voz.

Mas ela nĂŁo estava ali.

E nem sabia.

NĂŁo sabia da dor.
NĂŁo sabia do sangue.
NĂŁo sabia da guerra.

Ela só sentia


o abandono.

E aquilo


DoĂ­a mais do que qualquer tiro.

Os dias passaram.

Lentos.
Pesados.
Confusos.

De um lado


Um homem lutando para sobreviver.

Do outro


Uma mulher tentando entender
por que foi deixada.

E no meio disso


Um amor forte demais


Sendo colocado Ă  prova.

Porque às vezes


O maior inimigo nĂŁo Ă© o perigo.

É o silĂȘncio.

E aquele silĂȘncio


Estava prestes a mudar tudo.

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