Quando o Toque Vira Fogo – Capítulo 1: O Limite Quebrado

Era para ser um dia comum.

Helena repetia isso como um mantra enquanto caminhava pelo corredor silencioso, segurando firme a pasta contra o peito, como se aquele gesto pudesse manter tudo sob controle. Mas nada dentro dela estava realmente sob controle.

Havia algo diferente.

Algo no ar.

Algo nela.

Talvez fosse a forma como seu coração batia mais rápido sem motivo aparente… ou talvez fosse o nome que não saiu de sua mente desde cedo.

Miguel.

Ela parou diante da porta.

Respirou fundo.

Bateu.

— Pode entrar.

A voz dele veio firme, baixa… e perigosamente familiar.

Helena abriu a porta.

E naquele instante, tudo mudou.

Miguel estava ali, como sempre — postura impecável, olhar atento, presença dominante. Mas havia algo diferente no jeito que ele estava observando agora. Não era profissional. Não era distante.

Era direto.

Quente.

Quase como se ele estivesse esperando por aquele momento.

Ela fechou a porta atrás de si, sentindo o clique ecoar mais alto do que deveria.

— Você pediu para eu vir?

— Pedi.

Simples. Seco.

Mas carreguei algo que ela não conseguia nomear.

Helena se mudou da mesa, abriu a pasta e se concentrou nos papéis.

— Sobre o relatório, eu revisei os dados e—

— Helena.

O nome dela saiu da boca dele como um toque.

Ela congelou.

Lentamente, o olhar.

E então percebi.

Ele já não estava mais atrás da mesa.

Estava perto.

Perto demais.

— Você sempre fala assim? — ele disse.

— Assim como?

— Como se estivesse se escondendo.

O coração dela apertou.

— Eu não estou me escondendo.

— Está.

A resposta veio firme, sem espaço para discussão.

Ele deu mais um passo.

Agora não havia distância segura entre eles.

Helena sentiu o corpo reagir — um calor inesperado subindo pelo peito, pela garganta, pelas mãos.

— Isso não é proteção…

Ela tentou manter a firmeza, mas a voz falhou.

Miguel inclinou-se levemente para a cabeça, observando cada ocorrência dela.

— Você sempre foi tão correto assim… ou só comigo?

O silêncio ficou pesado.

Ela deveria se seguir.

Deveria sair.

Mas não saiu.

Porque, no fundo, ela sabia.

Aquilo não começou ali.

Aquilo já vinha crescendo.

Em olhares desviados.

Em conversas preparadas.

Em silêncio carregado demais.

E agora… não havia mais para onde fugir.

Miguel a mão devagar.

Sem pressa.

Como se esse tempo para recuar.

Ela não se.

Os dedos dele tocaram o pulso dela.

E tudo dentro dela incendiou.

Não foi um toque comum.

Foi um choque.

Um arrépio.

Uma quebra.

Helena fechou os olhos por um instante, sentindo o corpo inteiro reagir àquele contato simples — simples demais para causar aquilo tudo.

Mas causava.

E ela não nega.

— Você está sentindo isso também — ele disse, baixo.

Não era uma pergunta.

Era uma constatação.

Ela os.

Tentou manter o controle.

— Isso é errado…

Mas a forma como disse não tinha força.

Miguel não soltou.

Pelo contrário.

Aproximou-se mais.

— Então por que você não se afasta?

O silêncio respondeu por ela.

Porque ela não queria.

Era isso.

Simples e perigoso.

Ela não queria.

Os dedos dele deslizaram levemente, encontrando a mão dela.

E então, sem hesitação… ele segurou.

Entrelaçou.

Como se aquilo fosse realizado.

Helena prendeu a respiração.

O mundo ao redor parecia distante.

Irrelevante.

Tudo se resume naquele momento.

Àquele toque.

Àquela escolha.

— Se alguém ver… — ela sussurrou.

— Ninguém vai ver.

A confiança na voz dele não tranquilizou.

Pior.

Desarmou.

Porque ele não parecia preocupado.

Ele parecia decidido.

Miguel moveu o rosto lentamente.

Sem pressa.

Sem invadir.

Mas sem recuar.

Dando espaço para que ela escolha.

E, mais uma vez…

Ela escolheu ficar.

O olhar dele desceu até os lábios dela.

E.

Aquele gesto simples foi suficiente para fazer o corpo dela estremecer.

O ar ficou curto.

Pesado.

Quente.

— A gente devia parar… — ela disse, quase sem voz.

— Devia.

Mas nenhum dos dois se moveu.

Nenhum dos dois soltou.

Era como se aquele instante estivesse suspenso.

Prestes a cair.

Prestes a quebrar tudo.

Miguel mudou ainda mais o rosto.

Agora, perto o suficiente para que ela sinta a respiração dele.

— Última chance de sair — ele murmurou.

Helena fechou os olhos por um segundo.

E então respondeu, baixo:

— Eu não quero sair.

E foi ali.

igualmente resposta.

mas entrega silenciosa.

Que o limite deixou de existir.

Porque não era mais curiosidade.

Não era mais dúvida.

Era escolha.

E quando os olhos dela encontraram os dele novamente… não havia mais espaço para recuar.

Só para sentir.

Só para se perder.

Só para começar algo que nenhum dos dois conseguiria parar depois.

E, naquele instante, Helena entendeu:

Não era apenas atração.

Era fogo.

E já tinha começado a queimar.

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