Aquele Homem Não Deveria Me Olhar Assim

Capítulo 6 — A Memória Que Quebra Tudo

A porta dos fundos bateu com força atrás de nós.

A chuva continuava caindo pesada, quase como se estivesse impedindo qualquer fuga. O chão escorregadio, o ar frio, o som dos passos apressados… tudo parecia amplificado.

– Corre! — Lucas disse, puxando minha mão.

Eu corro.

Sem olhar pra trás.

Sem pensar.

O medo agora não era mais uma sensação confusa.

Era real.

Cru.

Presente.

O carro dele estava estacionado na esquina, meio escondido pela sombra de uma árvore.

Ele abriu a porta rapidamente.

— Entre!

Eu obedeci.

Dessa vez, sem questionar.

Sem discutir.

Porque o som que veio logo em seguida…

Fez meu sangue gelar.

A porta da casa sendo arrombada.

Elestâ lá.

Lucas entrou no carro, girou a chave e acelerou antes mesmo de fechar totalmente a porta.

Os pneus cantaram no asfalto molhado.

— Eles vão seguir a gente — ele disse, olhando pelo retrovisor.

— Quantos são?!

— Mais do que a gente precisa.

Meu coração disparou.

— Isso não ajuda!

Ele não respondeu.

Só acelerou mais.

A cidade passou a correr ao nosso redor, borrada pelas luzes e pela chuva. Meu corpo estava tenso, preso entre o medo e a adrenalina.

— Lucas…

— Agora não.

— Eu preciso saber!

— Você também sobreviveu!

O silêncio caiu por alguns segundos.

Até que…

Faróis.

Atrás de nós.

Se aproximando rápido.

— Eles — ele disse, firme.

Meu coração quase saiu pela boca.

— Já?!

— Eu disse que não temos tempo.

O carro atrás acelerou.

Muito.

— Segura — Lucas falou.

Antes que eu pudesse reagir…

Ele girou o volante bruscamente.

O carro deslizou na curva molhada.

Meu corpo foi jogado pro lado.

— Você tá maluco?!

— Confia em mim!

— Eu—

Outro carro surgiu.

Do outro lado.

— Lucas!

— Eu vi!

Ele acelerou mais.

O motor respondeu alto.

— Eles estão tentando cercar a gente.

Minhas mãos suavam.

Meu corpo inteiro tremia.

— A gente não vai conseguir!

— Vai.

A confiança na voz dele…

Era absurda.

Inexplicável.

Mas, mesmo assim…

Eu me agarrei nela.

Erro.

Ou talvez…

Destino.

Um dos carros equipados se aproximar mais.

Perto demais.

— Abaixa! — Lucas.

Eu me joguei pra frente.

No mesmo instante…

Um impacto.

Forte.

Metal contra metal.

— Eles bateram na gente?!

— Tentaram.

O carro dele balançou.

Mas ele preserva o controle.

— Isso é loucura!

— Bem-vinda à verdade.

Meu coração disparava descontrolado.

— Eu não pedi por isso!

— Mas você já estava nisso.

— COMO?!

E foi aí que aconteceu.

Um dos carros avançou ainda mais.

Colidiu de lado.

Mais forte dessa vez.

O impacto fez tudo girar.

Som.

Luz.

Dor.

E então…

Veio.

De uma vez.

Sem aviso.

Sem controle.

Sem filtro.

A ≤

Completa.


Eu estava correndo.

Mas não era hoje.

Era antes.

Um prédio.

Frio.

Branco.

Silencioso.

Corredores longos.

Portas fechadas.

Pessoas passando rápido.

Olhos vazios.

E eu…

Eu estava com ele.

Lucas.

Mas não como agora.

Diferente.

Mais próximo.

Mais íntimo.

— Você não deve estar aqui — ele dizia.

— Eu preciso ver.

Minha voz.

Eu guardova.

Era eu.

— Se Filé—

— Eu não me importo.

Ele me puxava.

Tentando me tirar dali.

Mas eu não saía.

Porque eu tinha visto.

Uma sala.

Vidro.

Pessoas.

Presas.

Ligadas a máquinas.

— Eles estão controlando elas… — eu sussurrava.

Lucas não respondeu.

Só.

Com culpa.

Com dor.

— Você sabia.

Silêncio.

— Você SABIA!

— Eu não podia—

— Você faz parte disso!

O ar ficou pesado.

— Eu vou contar — eu disse.

— Você não pode.

— Eu não vou ficar calada!

— Eles vão te matar!

— Eu prefiro isso do que—

Um alarme.

Som alto.

Vermelho.

— A gente se sai bem!

— Não!

— AGORA!

Ele me puxava.

Forte.

Mas eu resistia.

Erro.

Grande erro.

Porque instante…

Eles.

Homens.

Frio.

Sem expressão.

— Senhorita, você não deve estar aqui.

Meu coração disparava.

— Lucas…

Ele estava tenso.

— Fica atrás de mim.

Mas era tarde.

— Ela viu — um deles disse.

Silêncio.

Pesado.

Final.

— Então não pode sair daqui.

Meu corpo gelou.

— Lucas…

Ele não respondeu.

Só me sequestrar.

E olhar…

Havia um precedente.

Desespero.

E algo mais.

— Corre — ele disse.

Eu corro.

Desesperada.

Sem direção.

Só correndo.

Mas eles eram rápidos.

Sempre foram.

Alguém me segurou.

Forte.

Brutal.

— !

Eu gritei.

Lutei.

Mas não adiantava.

— Apaguem ela.

Minha respiração travou.

— !

Eu olhei para Lucas.

Desesperada.

E foi aí…

Que eu disse.

— Lucas!

Meus.

Minha voz.

Meu tudo nome.

E ele…

Quebrou.

Literalmente.

— !

Ele configu.

Atacou.

Sem pensar.

Sem ordem.

Sem controle.

— Você enlouqueceu?! — alguém conhecido.

— TOCA NELA!

Confusão.

Luta.

Gritos.

E então…

Água.

Fria.

Escura.

Eu caí.

Afundei.

Sem ar.

Sem força.

Sem nada.

E a última coisa que eu vi…

Foi ele.

Me puxando.

Me salvando.


— EI! — a voz dele me trouxe de volta.

Meu corpo estava tremendo.

O carro ainda em movimento.

O caos ainda ocorre.

Mas agora…

Eu sabia.

Tudo.

— Eu lembrei… — sussurrei.

Ele imagina pra mim.

E olhar…

Havia medo.

— Tudo?

Eu engulo seco.

— Tudo.

O silêncio entre nós foi diferente dessa vez.

Não era dúvida.

Era verdade.

— Você me escolheu salvar — eu.

Ele apertou o volante.

— Eu escolho você.

Meu coração disparou.

— E perdeu tudo por isso.

— Eu perderia de novo.

O carro atrás se.

Mas agora…

Algo em mim tinha mudado.

— Lucas…

— Fala.

Eu olhei pra frente.

Depois pra ele.

— A gente não pode só fugir.

Ele franziu a testa.

— O quê?

— Eu vi o que eles fazem.

Minha respiração ficou firme.

— E eu não vou fugir disso de novo.

O silêncio caiu.

Pesado.

Mas diferente.

Porque agora…

Eu não estava mais perdida.

— Então o que você quer fazer? — ele disse.

Eu olhei pra ele.

Sem medo.

Sem dúvida.

— Acabar com eles.

E um instante…

A perseguição deixou de ser fuga.

Virou guerra.

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