Quando o Toque Vira Fogo – Capítulo 8: A Decisão Que Ninguém Esperava

O salão ainda brilhava.

A música ainda tocava.

As pessoas ainda dançavam.

Mas, para Miguel… tudo tinha parado.

Porque, no centro daquela noite perfeita…

Tudo tinha desmoronado.

Uma discussão que não poderia ser evitada

— Chega.

A voz de Helena cortou o ar.

Firme.

Sem tremor.

Sem volta.

Camila cruzou os braços, ao lado, com o olhar fixo em Miguel.

— Agora você vai falar — completou, calma… mas perigosa.

Miguel respirou fundo.

Sabia.

Não dava mais para fugir.

— Eu não quis que isso cheguesse aqui…

— Mas chegou — Helena descontou. — E por sua causa.

Silêncio.

Pesado.

— Você brincou com as duas — Camila disse, direta.

— Eu não brinquei.

— Então explica — Helena avançou um passo. — Porque até agora… você só confundiu.

Miguel passou a mão no cabelo, suavemente pressionado.

— Eu… eu senti.

As duas ficaram em silêncio.

Esperando.

— Senti por vocês duas.

Aquilo caiu como uma bomba.

A que mascara

Helena riu.

Sem humor.

— Isso não é resposta.

— É a única verdade que eu tenho.

Camila inclinou levemente a cabeça.

— Então você está dizendo que ama nós duas?

Miguel hesitou.

Mas não todo.

— Estou.

O silêncio foi imediatamente.

Pesado.

Quase insuportável.

Helena:u o olhar.

Como se aquilo fosse mais do que qualquer traição.

— Isso não existe — ela disse, mais baixo.

— Existe quando você não consegue escolher — ele respondeu.

— Não — ela negou, firme agora. — Existe quando você não quer escolher.

Aquilo ficou direto.

Sem defesa.

Sem desculpas.

O limite das duas

Camila respirou fundo.

E, pela primeira vez, a calma dela falhou.

— Eu não dividido.

Simples.

Direto.

Sem margem.

Helena genuína com um leve aceno.

— Nem eu.

Miguel escapou para as duas.

E, naquele momento…

Entendeu que não havia saída fácil.

— Eu não quero perder nenhum de vocês.

— Então você já perdeu — Helena disse.

A frase foi fria.

Mas carregado de dor.

Camila deu um passo para trás.

— Porque homem que não escolhe… não fica com ninguém.

O abandono que ensina

E, sem mais palavras…

Elas viraram.

Quase ao mesmo tempo.

E foram embora.

Em direções diferentes.

Sem olhar para trás.

Sem hesitar.

Sem dar mais espaço.

Miguel ficou ali.

Parado.

No meio do salão.

Com tudo ao redor funcionando…

E ele completamente vazio.

Pela primeira vez…

Sozinho.

De verdade.

O encontro inesperado

Do lado de fora…

O ar estava frio.

Mas não mais frio do que o que as duas estavam sentindo.

Helena mantémva rápido.

Tentando segurar.

Tentando não quebrar.

Quando ouviu:

— Helena.

Ela pariu.

Virou.

E viu.

Camila.

As duas se olharam.

Por alguns segundos.

Sem palavras.

Sem máscaras.

Sem disputa.

O désico

— Então… é você — Camila disse.

Helena soltou um pequeno sorriso, cansado.

— E você é uma loira perfeita.

— E você… a que ele não consegue esquecer.

Silêncio.

Mas não hostil.

Diferente.

— Você ama ele? — Camila perguntou.

Direto.

Sem rodeio.

Helena demorou um segundo.

Mas respondeu:

— Amo.

Agora foi a vez de Camila.

Respirou fundo.

— Eu também.

E, naquele momento…

Algo mudou.

O que esperávamos

As duas ficaram em silêncio.

Processando.

Sentindo.

Entendendo.

— Que situação ridícula… — Helena soltou, passando a mão no rosto.

Camila riu de leve.

— Concordo.

— A gente… disputando.

— Por um homem que não conseguiu decidir.

As duas se entreolharam.

E, pela primeira vez…

Houve algo parecido com cumplicidade.

O novo conflito

— E agora? —Helena perguntou.

Camila cruzou os braços.

Pensativa.

— Agora… ele está sozinho.

— E a gente?

— Também.

Silêncio.

Mas não vazio.

Cheio de possibilidades.

Cheio de fotos.

Cheio de algo novo surgindo.

O que pode mudar tudo

— Você voltaria? — Camila perguntou.

Helena pensou.

De verdade.

— Só se ele escolheusse.

— E se ele fala com você?

Helena interessou por ela.

— E você?

Camila de lado.

— Eu iria embora.

Aquilo foi sincero.

Cru.

E então.

— E se ele fala com você?

— A mesma coisa.

Agora foi Helena quem.

Fraco.

Mas verdade.

O destino em aberto

As duas ficaram ali.

Na mesma calçada.

Sob a mesma noite.

Ligadas por algo improvável.

O mesmo homem.

O mesmo sentimento.

O mesmo conflito.

E, pela primeira vez…

Sem ele no meio.

— Talvez a gente não tenha que decidir nada hoje — Helena disse.

Camila assentiu.

— Talvez a decisão não seja nossa.

As duas olharam para trás.

Para o salão.

Onde tudo ainda.

Onde ele ainda estava.

Sozinho.

— Ou talvez… — Helena completou — ele já tenha perdido as duas.

Silêncio.

E, dessa vez…

Nenhuma discordou.

Porque, no fundo…

Ambas sabiam:

O amor pode ser intenso.

Pode ser confuso.

Pode até ser dividido.

Mas decisão…

Essa não pode ser adiada para sempre.

Erica noite…

O tempo de Miguel tinha acabado.

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