O bate à porta
Helena hospeda imóvel diante de Gabriel.
A fotografia tremia entre seus dedos.
A imagem de sua mãe ao lado dele e de seu pai parecia ter destruído, em poucos segundos, tudo aquilo que começava a construir dentro dela.
Confiança.
Desejo.
Esperança.
— Você mentiu para mim — disse ela, quase num sussurro.
Gabriel não tentou negar.
— Sim.
A sinceridade inesperada a deixou ainda mais magoada.
— Há quanto tempo você conhece meu pai?
— Desde antes de você nascer.
Helena sentiu o coração apertado.
— E minha mãe?
— Também.
— Então você fez parte da minha história antes mesmo de eu saber que você existia.
Gabriel baixou os olhos.
— Fiz.
— E você ficou me observando durante todos esses anos?
— Não como você está pensando.
— então me diga como foi!
A voz dela ecoou pelo quarto.
Gabriel se mudou, mas Helena recuou.
— Não.
Ele pariu.
— Helena…
— Não chegue perto de mim.
A dor no rosto dele foi imediata.
Mas ela precisava daquela distância.
precisava respirar.
Precisava entender como o homem que havia beijado poucas horas antes poderia carregar tantos segredos relacionados à sua família.
— Minha mãe confiava em você?
— Mais do que em qualquer outra pessoa.
— E meu pai?
Gabriel demorou.
— Seu pai também confiava em mim.
Helena soltou uma risada amarga.
— Então por que fez um pacto para esconder alguma coisa de mim?
— Porque acreditavam que estavam protegendo você.
— Protegendo de quê?
Gabriel permanece em silêncio.
— Eu estou cansada dessa frase.
— Que frase?
— “Ainda não posso contar.”
Ela uma fotografia.
— Minha mãe morreu. Meu pai viveu anos sem me contar a verdade. E agora você aparece dizendo que precisa me proteger. Eu não quero mais ser protegido. Quero saber.
Gabriel passou a mão pelo rosto.
— Tudo bem.
Helena ficou surpresa.
— Tudo?
— Você merece saber.
Ele caminhou até uma antiga poltrona e sentou-se.
— Naquela época, sua mãe descobriu algo que poderia destruir uma família inteira.
— Qual família?
Ele estabeleceu para ela.
— A sua.
Helena sentiu um frio percorrendo o corpo.
— O que ela descobriu?
— Que seu pai estava sendo ameaçado.
— Por quem?
— Um homem chamado Augusto.
Helena tentou lembrar.
O nome não nada.
— Quem era ele?
— Alguém muito próximo da sua família.
— Parente?
Gabriel assentiu lentamente.
— Seu tio.
Helena ficou sem palavras.
Ela conhecia aquele homem.
Ou pelo menos conhecia as histórias sobre ele.
Seu tio Augusto havia desaparecido anos antes.
Sua mãe sempre dizia que ele havia escolhido viver longe.
Mas agora tudo parecia diferente.
— Minha mãe sabia onde ele estava?
— Sabia.
— E meu pai?
— Também.
— Então por que nunca me contaram?
— Porque Augusto ameaçou vocês.
Helena levou a mão ao peito.
— Ameaçou minha família?
— Sim.
— E minha mãe morreu por causa disso?
Gabriel não respondeu imediatamente.
E aquele silêncio foi suficiente.
— Gabriel…
Ele.
— Eu não tenho certeza de que a morte dela tenha sido causada diretamente por ele.
— Mas você suspeito.
— Sim.
Helena sentiu as lágrimas chegarem aos olhos.
— Então você sabe quem matou minha mãe?
— Não.
— Você estava lá?
Gabrieli os o.
— Sim.
O mundo de Helena pareceu desabar.
— Você estava lá?
— · noite.
— E deixou minha mãe morrer?
— Não.
A voz dele saiu falando de emoção.
— Eu tentei salvá-la.
Helena ficou olhando para ele.
— *** o que aconteceu?
Gabriel respirou fundo.
— Sua mãe me ligou naquela noite. Disse que eu preciso falar comigo. Quando cheguei, ela já estava ferida.
— Ferida?
— Sim.
— E meu pai?
— Estava no local.
Helena arregalou os olhos.
— Meu pai estava lá quando ela morreu?
Gabriel assentiu.
— Os dois estavam.
Ela cambaleou até a parede.
— Meu Deus…
Durante oito anos, Helena acreditou que sua mãe havia morrido em um acidente.
Era isso que seu pai sempre havia contado.
Um.
Uma tragédia.
Uma fatalidade.
Agora descobri que havia muito mais.
— Por que meu pai disse que foi um acidente?
— Porque sua mãe pediu.
— Ela pediu para ele mentir?
— Pediu para esconder a verdade de você.
Helena começou a chorar.
Gabriel deu um passo em sua direção.
Dessa vez, ela não me.
Ele se esconde lentamente.
— Eu sinto muito.
— Por que você voltou agora?
— Porque alguém encontrou uma das cartas.
— Quem?
— Não sei.
— E você acha que essa pessoa está atrás de mim?
— Tenho certeza.
Gabriel segurou delicadamente os braços dela.
— É por isso que você precisa confiar em mim.
Helena o rosto.
As lágrimas escoriam silenciosamente.
— Eu queria confiar.
— então confie.
— É difícil.
— Eu sei.
Ela o encarou.
— Você me beijou sabendo de tudo isso.
— Sim.
— Por quê?
Gabriel ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois respondeu:
— Porque eu passei anos tentando convencer a mim mesmo de que deveria manter distância.
— E?
Ele tristemente.
— Até você.
O coração dela acelerou.
— Gabriel…
— Eu sabia que não deveria me aproximar. Sabia que você faria perguntas. Sabia que, cedo ou tarde, precisaria contar tudo.
Ele tocou o rosto dela.
— Mas não sabia que seria impossível resistir a você.
Helena | os .
O toque dele era delicado.
Quase uma promessa.
Ela deveria afastá-lo.
Deveria exigir mais respostas.
Mas naquele momento, tudo o que queria era esquecer, por alguns segundos, a dor.
Encostou a testa no peito dele.
Gabriel está envolvido nos braços.
Nenhum dos dois falou.
Apenas ali.
E, naquele abraço, Helena veja algo que assustou ainda mais do que os segredos:
Ela estava começando a amar aquele homem.
A carta escondida
Um ruído veio do andar inferior.
Gabriel imediatamente ficou alerta.
— Fique aqui.
— O que foi?
— Não sei.
Ele pegou o telefone e desceu as escadas.
Helena ficou sozinha.
Olhou novamente para a fotografia.
Algo chamou sua atenção.
Havia uma pequena marca no canto.
Uma sequência de números.
14-08-19.
Ela entre as cartas.
Nada.
Abriu a caixa novamente.
Encontrei um envelope menor escondido no fundo.
Não tinha nome.
Apenas os mesmos números.
Helena.
Dentro havia uma única folha.
A letra de sua mãe.
“Helena, se algum dia você descobrir tudo isso, procure a verdade onde ninguém jamais procuraria.”
Ela continua lendo.
“Seu pai sabe mais do que contorno. Gabriel também. Mas existe uma terceira pessoa que esteve presente naquela noite.”
Helena sente o sangue gelar.
Uma terceira pessoa.
Quem?
No final da página havia apenas uma frase:
“Não confie naquele que vier dizer que quer ajudá-la.”
Helena ouviu passos.
Guardou rapidamente a carta.
Gabriel apareceu na porta.
— Não havia ninguém lá fora.
Ela o observou.
— Você encontrou alguma coisa?
— Não.
Helena abriu a carta dentro da mão.
Ele inventou.
— O que aconteceu?
Ela hesitou.
Depois, entregue o papel.
Gabriel leu.
Seu rosto mudou completamente.
— Onde você encontrou isso?
— Na caixa.
Ele. os olhos.
— Essa carta não estava aqui.
— Como assim?
— Eu revirei essa caixa antes de você chegar. Não havia esse envelope.
Helena, um arrépio.
— Então alguém colocou isso aqui.
Gabriel ficou imóvel.
— Sim.
— Enquanto isso, organizado aqui?
Ele estabeleceu para a porta.
— Ou antes.
Um barulho de carro surgiu do lado de fora.
Gabriel foi até a janela.
Um veículo escuro estava parado diante da casa.
Os sombram apagados.
— É ele — disse Gabriel.
— Quem?
— Augusto.
Helena sentiu o coração disparar.
— Meu tio?
Gabriel segurou a mão dela.
— sair daqui.
— Agora?
— Ágora.
Desceram rapidamente as escadas.
Quando chegou à porta, o carro arrancou em alta velocidade.
Gabriel correu até o veículo onde chegou.
— Entre!
Helena entrou.
Ele pegou o motor.
— Para onde vamos?
— Para um lugar seguro.
— E depois?
Gabriel interagiu para ela.
— Depois vamos descobrir toda a verdade.
O carro ganhou velocidade pela estrada escura.
Helena olhou pelo vidro traseiro.
A Casa Azul desaparecia lentamente na distância.
Mas havia uma certeza de que permaneceria.
O passado não estava mais escondido.
Ele estava vivo.
E vinha atrás deles.
Gabriel segurou sua mão sobre o console.
Helena entrelaçou os dedos nos dele.
Nenhum dos dois sabia o que aconteceria depois.
Mas, naquele momento, ela escolheu confiar.
Mesmo sabendo que poderia se arrepender.
E enquanto a chuva começava novamente a cair sobre o para-brisa, Gabriel olhou para ela e disse:
— Helena, existe uma coisa que ainda não contei.
Ela sentiu o coração acelerar.
— O quê?
Ele respirou fundo.
— Naquela noite, antes de morrer, sua mãe me revelou uma coisa que pode mudar completamente aquilo que você acredita sobre sua família.
Helena ficou em silêncio.
— O que ela transformou?
Gabriel apertou sua mão.
— Você não é quem sempre acreditou ser.

