Capítulo 1 — O Homem da Chuva

O encontro que não deveria acontecer

A chuva começou no fim da tarde, fina e persistente, transformando as ruas da pequena cidade em um reflexo de luzes douradas. Helena observava as gotas escorrendo pelo vidro da cafeteria enquanto mexia distraidamente o café que já havia esfriado.

Houve três meses que ela tentou reconstruir a própria vida.

Três meses desde que prometeu a si mesma que não se envolveria novamente com ninguém.

Não depois de tudo.

Não depois daquela noite.

Helena tomou uma xícara aos lábios, mas parou antes de beber.

Do outro lado do vidro, um homem caminhava pela calçada.

Alto. Elegante. Casaco escuro encharcado pela chuva.

Ele parou diante da cafeteria.

Ei diretamente para ela.

Helena sentiu um arrepio percorrendo sua pele.

Não sabia quem ele era.

Mas havia alguma coisa naquele olhar.

Uma familiaridade inexplicável.

O homem entrou.

O sino da porta tocou suavemente.

Ele tirou o casaco molhado e passou a mão pelos cabelos, antes de caminhar até o balcão.

— Um café, por favor.

A voz dele era baixa e firme.

Helena voltou os olhos para sua xícara, tentando ignorá-lo.

Tentando.

Porque, alguns segundos depois, ele se sentou na mesa ao lado.

— Você sempre toma café frio?

Ela� os olhos.

— Como sabe que está frio?

Ele foi designado discretamente para a xícara.

— Porque você está confundindo nele há quase dez minutos e não bebeu.

Helena sem querer.

— Você observa demais.

— Talvez.

O silêncio entre os dois durou alguns segundos.

Então ele quebrou a mão.

— Gabriel.

Ela hesitou antes de abrir.

O contato foi breve.

Mas intenso.

— Helena.

Os olhos dele estão focados nos dela por tempo demais.

— Eu sei.

Ela franziu a testa.

— Sabe?

Gabriel pareceu perceber que havia falado demais.

— Quer dizer… já ouvi seu nome.

— Onde?

Ele se olha.

— Em algum lugar.

A resposta não convenceu.

Helena sentiu uma inquietação crescer dentro dela.

— Você é sempre misterioso assim?

— Só quando a verdade pode assustar alguém.

Ela ficou bonita.

— E qual é a verdade?

Gabriel de leve.

— Ainda não é hora de você saber.

Helena deveria ter ido embora.

Era exatamente o que uma mulher sensata faria.

Mas…

Talvez porque houvesse algo naquele homem que despertava uma curiosidade que ela não conseguia controlar.

Ou talvez porque, pela primeira vez em meses, alguém conseguiu esquecer os próprios fantasmas.

A chuva aumentou.

As luzes da cafeteria refletiram nos olhos de Gabriel.

— Você acredita em encontros que acontecem por acaso? — ele disse.

— Não.

— Eu também não.

O coração dela acelerou.

— Então por que você está aqui?

Ele se inclinou um pouco sobre a mesa.

Não o suficiente para tocá-la.

Mas perto o bastante para que Helena sentisse o perfume dele.

— Porque eu estava te procurando.

O mundo pareceu parar.

— Procurando… um mim?

Gabriel sustentou seu olhar.

— Há muito tempo.

Helena se pronunciou abruptamente.

— Isso não tem graça.

— Eu não estou brincando.

— quem é você?

Ele ficou em silêncio.

Depois tirei do bolso uma pequena fotografia.

Colocou-a sobre a mesa.

Helena.

Seu coração.

Na fotografia havia uma mulher.

Uma mulher que ela conhecia.

Sua mãe.

Helena empalideceu.

— Onde isso?

Gabriel-se.

— Eu sabia que você faria essa pergunta.

— Gabriel…

— Sua mãe me pediu para encontrá-la.

Helena sentindo as pernas perderem a força.

— Minha mãe morreu há oito anos.

Ele respirou fundo.

— Eu sei.

O silêncio tornou-se pesado.

— ? como…

Gabriel se.

Parou dela.

Por um instante, seus rostos ficaram próximos demais.

Helena sentiu a respiração dele tocar sua pele.

— Porque antes de morrer, ela me pediu uma coisa.

— O quê?

Ele olhou para os lábios dela por um breve instante antes de voltar aos seus olhos.

— Que eu protesse você.

Helena engoliu em seco.

— De quem?

Gabriel não respondeu.

Apenas segurou delicadamente a mão dela.

O toque despertou algo que nenhum dos dois esperava.

Uma corrente quente percorreu o corpo de Helena.

Ela não especificar a mão.

Ele também não.

Por alguns segundos, ficaram assim.

Próximos.

Silenciosos.

Respirando o mesmo ar.

Gabriel inclinou-se lentamente.

Helena fechou os olhos por um instante.

Quase…

Mas ele parou.

— Ainda não.

Ela os.

— Ainda não o quê?

Um sorriso misterioso apareceu no rosto dele.

— O beijo.

Helena sentiu o rosto esquentar.

— E quem disse que eu queria beijar você?

— Ninguém.

Ele soltou a mão dela.

— Mas seus ouvidos.

Antes que Helena pudesse responder, Gabriel pegou o casaco.

Caminhou até a porta.

Ela correu atrás.

— Espere!

Ele pariu.

— Quando você o vê novamente?

Gabriel mergulho para trás.

— Amanhã.

— Onde?

— No lugar onde sua mãe guardou o maior segredo da vida dela.

Helena, um arrépio.

— E onde é isso?

Ele,.

— Você vai isolar.

A porta se.

Gabriel caiu na chuva.

Helena voltou para a mesa.

Pegou a fotografia com mãos trêmulas.

Virou-a.

Havia uma frase escrita no verso, com a letra de sua mãe:

“Quando ele aparecer, não confie nele. Mas também não o deixe partir.”

Helena sentiu o coração disparar.

E, pela primeira vez em oito anos, descubra que talvez a morte de sua mãe tenha deixado muito mais perguntas do que respostas.

E talvez Gabriel fosse a resposta para todas elas.

Ou o maior perigo que já havia entrado em sua vida.

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