O sol de Amalfi não apenas brilhava; ele parecia reverenciar a ilha privada de Damian Volkov. Um rochedo de granito transformado em um palácio de mármore branco e jardins suspensos, cercado por um mar tão azul que chegava a doer os olhos. Para o mundo, era um evento social impossível de ignorar. Para o submundo, era a celebração da união mais poderosa da década.
Isabella Ricci observava a costa pelo espelho de cristal de sua suíte. Ela não era mais a garota que cheirava a graxa e gasolina nas manhãs de segunda-feira. O vestido, uma obra-prima de um estilista que costurava apenas para rainhas e amantes de ditadores, era feito de renda francesa bordada com microdiamantes. Ele abraçava suas curvas como uma segunda pele, com um decote nas costas que terminava exatamente onde o perigo começava.
Capítulo 10: O Altar dos Lobos
O caminho até o altar era uma passarela de vidro suspensa sobre as ondas. Entre os convidados, o ar estava carregado. Homens com cicatrizes escondidas sob ternos de três mil dólares e mulheres cujas joias poderiam comprar pequenas nações observavam cada passo de Isabella. Os Volkov estavam lá, os Moretti — ainda amargurados — ocupavam a fileira de trás, e os cartéis do sul vigiavam as entradas com mãos sob os paletós.
Damian a esperava no final da passarela. Ele não usava flores na lapela; usava o broche da família Volkov, um lobo de ouro com olhos de rubi. Quando Isabella alcançou sua mão, o choque elétrico de sempre percorreu seu braço.
— Você está devastadora, Isabella — ele sussurrou, a voz tão baixa que apenas ela poderia ouvir, carregada de uma possessividade que a fazia tremer.
— É para combinar com o marido que escolhi — ela respondeu, os olhos verdes desafiando o azul gélido dele.
A cerimônia foi curta e absoluta. No mundo deles, promessas de “na saúde e na doença” tinham um peso literal de vida ou morte. Quando o celebrante os declarou marido e mulher, Damian não esperou. Ele a puxou para um beijo que silenciou os sussurros dos convidados. Foi um beijo de posse, de triunfo. Um aviso a todos os presentes: Ela é o meu coração, e quem tocar no meu coração, morre.
Capítulo 11: Valsa Entre Adagas
A recepção aconteceu no terraço principal, sob um céu que se transformava de laranja em um roxo profundo. O champanhe corria como água, mas Isabella sabia que cada sorriso era uma máscara.
— Cuidado com a terceira taça, querida Imperatriz — sussurrou Lorenzo Moretti, aproximando-se enquanto Damian estava momentaneamente afastado conversando com um conselheiro russo. — O poder é uma bebida forte. Pode subir à cabeça… ou causar quedas fatais.
Isabella não recuou. Ela girou o anel de esmeralda no dedo, sentindo o peso do império Volkov. — Senhor Moretti, eu passei a vida lidando com motores que explodem se você apertar o parafuso errado. Eu conheço o ponto de ebulição de cada homem nesta sala. Inclusive o seu. Se eu fosse o senhor, aproveitaria o caviar e manteria as mãos longe das minhas engrenagens.
Moretti deu um passo atrás, surpreso pela audácia fria dela. Damian reapareceu, envolvendo a cintura de Isabella com um braço protetor, seus olhos fixos em Moretti como um predador que acaba de identificar a presa.
— Algum problema, Lorenzo? — a voz de Damian era um trovão contido.
— Nenhum, Volkov. Apenas parabenizando a noiva pela… coragem.
Quando Moretti se afastou, Damian virou Isabella para si. — Você o colocou no lugar dele de novo?
— Ele é previsível, Damian. Como um carro antigo com o carburador sujo — ela sorriu, passando a mão pelo peito do marido. — Mas eu estou cansada de política por hoje.
— Eu também — ele admitiu, os olhos escurecendo de desejo. — E como dono desta ilha, eu decreto que a festa continua sem nós.
Capítulo 12: A Noite de Núpcias da Imperatriz
Damian a carregou para longe das luzes da festa, subindo para o pavilhão privativo que se projetava sobre o penhasco. O som das ondas batendo nas rochas lá embaixo era a única música que importava agora.
Dentro do quarto, velas de cera de abelha perfumavam o ar. Damian não perdeu tempo. Ele a prensou contra a parede de vidro, permitindo que a lua fosse a única testemunha. Seus beijos desceram pelo pescoço dela, as mãos grandes e rudes desfazendo com urgência os intrincados botões de pérola nas costas do vestido.
— Você é minha, Isabella Volkov — ele rosnou contra a pele dela. — De corpo, alma e destino.
— E você é meu — ela rebateu, puxando a camisa dele para fora da calça, a pele dele queimando contra a dela. — O Imperador que se curvou diante da garota da vitrine.
O vestido de seda e diamantes caiu no chão, uma poça de luxo esquecida. Naquela noite, sob o céu de Amalfi, a paixão deles foi uma tempestade. Damian a possuiu com uma ferocidade que falava de todos os meses de desejo reprimido, e Isabella respondeu com uma entrega faminta, suas unhas marcando as costas dele, gravando nela a prova de que ele pertencia a ela tanto quanto ela a ele.
No ápice, quando o mundo parecia desaparecer em um clarão de prazer e adrenalina, eles se seguraram um ao outro como náufragos. Não havia máfia, não havia rivais, não havia perigo. Havia apenas o pulsar de dois corações que haviam encontrado seu ritmo em meio ao caos.
Horas depois, deitados sobre os lençóis desfeitos, observando as luzes distantes dos iates dos convidados, Isabella descansou a cabeça no peito de Damian.
— O que acontece amanhã? — ela perguntou.
Damian acariciou seus cabelos, olhando para o horizonte onde o mar e o céu se fundiam. — Amanhã, nós mostramos ao mundo por que este casamento foi uma declaração de guerra. Mas hoje… hoje o mundo é apenas nosso.




