Entre o Luxo eo Giz

Capítulo 3 – O Desejo de Ser Vista

Ana Clara não conseguiu esquecer.

Por mais que tentasse se concentrar na rotina, nas aulas, nos alunos… algo havia mudado dentro dela desde aquele encontro.

O olhar dele.

Intenso.

Seguro.

Quase invasivo.

Ela nunca tinha sido vista naquela forma.

Não como professora.

Não como alguém simples.

Mas como… mulher.

E isso a desestabilizou mais do que gostaria de admitir.

Naquela noite, deitada em sua cama simples, olhando para o teto, ela fechou os olhos… e viu novamente a cena.

Ele parado na porta.

Observando.

Sem pressa.

Como se tivesse tempo para decifrá-la.

— Isso é loucura… — sussurrou, virando de lado.

Mas o coração acelerava só de lembrar.

E foi assim…

Que ela começou a pensar diferente.

No dia seguinte, diante do espelho, Ana parou por alguns segundos a mais do que o normal.

O cabelo preso de qualquer jeito.

O rosto limpo, sem maquiagem.

A mesma imagem de sempre.

Segura.

Prática.

Mas… invisível.

Ela soltou o cabelo lentamente.

Os fios caíram pelos ombros, revelando um lado que ela quase não mostrava.

Se mudou um pouco mais do espelho.

Passou a mão no rosto.

Pensativa.

— E se… — começou, sem terminar a frase.

A ideia parecia pequena.

Mas não era.

Era o início de uma mudança.

Naquele dia, ela fez algo simples.

Passou um pouco de maquiagem.

Nada exagerado.

Apenas o suficiente para realçar o olhar.

E, quando termina…

Ela se servir novamente.

Diferente.

Não era outra pessoa.

Mas também… não era exatamente a mesma.

Na escola, alguns colegas perceberam.

— Nossa, Ana… tá diferente hoje — comentou uma professora, sorrindo.

Ela disfarçou.

— Impressão sua…

Mas por dentro…

Sabia que não era.

E, no fundo, sabia o motivo.

Ele.

Os dias.

E a mudança continua.

Primeiro, foram pequenos detalhes.

Depois…ba Maiores.

Até que, numa tarde de sábado, Ana entrou num salão.

O coração bateu mais rápido do que deveria.

— Boa tarde — disse, um pouco insegura.

A cabeleireira.

— Vai mudar o visual?

Ana hesitou por um segundo.

Olhou para o próprio reflexo.

E:

— Vou.

Horas depois, ela não era mais a mesma.

O cabelo agora tinha movimento.

Leveza.

Um corte moderno, na altura do pescoço, com mechas que iluminavam o rosto.

Quando se servir no rank…

Ficou em silêncio.

Não era apenas estética.

Era… transformação.

— Você ficou linda — disse a profissional.

E, pela primeira vez em muito tempo…

Ana acreditou.

Nos dias seguintes, ela passou a escolher as melhores roupas.

Peças simples… mas bem combinadas.

Cores que valorizavam.

Tecidos que desenhavam melhor seu corpo.

Nada vulgar.

Mas… impossível de ignorar.

Ela começou a se arrumar com mais cuidado.

Perfume.

Cabelo solto.

Olhar mais firme.

E, todos os dias…

Ao chegar na escola…

Seu coração fez a mesma pergunta silenciosa:

“Ele vai voltar?”

Mas ele não voltou.

Um dia.

Dois.

Três.

Uma semana.

Nada.

E isso começou a incomodar.

Mais do que deveria.

— Você nem conhece ele… — disse a si mesma, enquanto organizava cadernos.

Mas não adiantava.

Porque não era sobre conhecer.

Era sobre sentir.

E ela sentiu.

À noite, ele começou a aparecer nos seus sonhos.

Sempre do mesmo jeito.

O olhar fixo.

A design forte.

Uma proximidade que nunca se concretizou totalmente.

Ela acordou com o coração acelerado.

Confusa.

E… desejando mais.

— Isso não pode estar acontecendo… — murmurava, sentando na cama.

Mas já estava.

E crescendo.

Enquanto isso, do outro lado da cidade…

Paulo também não estava em paz.

Ele tinha tentado se.

Se convencer de que aquilo era apenas um impulso.

Uma curiosidade passageira.

Mas não era.

Uma imagem dela…

Agora se misturava com lembranças da conversa.

Da forma como ela falou.

Da força que carregava.

E isso o puxava de volta.

— Eu preciso vê-la de novo… — admitido, olhando para o celular sem realmente enxergar nada.

Mas ele não queria voltar do mesmo jeito.

Não queria parecer invasivo.

Queria… provocar.

Sentir.

Testar.

E, pela primeira vez em muito tempo…

Ele decidiu esperar.

Enquanto isso…

Ana também esperava.

Mas de um jeito diferente.

Cada dia mais bonita.

Cada dia mais atenta.

Cada dia mais… ”

Porque agora…

Ela queria ser vista.

Não por qualquer pessoa.

Mas por ele.

E isso a assustava.

Porque não era racional.

Não era planejado.

Não era seguro.

Impulso da era.

Era desejo.

Era expectativa.

E talvez…

Perigo.

Numa manhã qualquer, ao chegar à escola, Ana parou por um segundo antes de entrar.

Respirou fundo.

Alisou o cabelo.

Ajustei a roupa.

E, sem…

Olhou ao redor.

Procurando.

Sempre procurando.

Massa dia…

Ainda não era o momento.

Porque quando ele voltasse…

Nada seria como antes.

E ela, no fundo, já sabia disso.

Mesmo sem admitir.

Continua… 🔥

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