Entre o Luxo eo Giz

Capítulo 5 – Um Convite Perigoso

Ana Clara tentou manter a rotina.

Mas já não era possível.

Depois daquele reencontro, depois daquele olhar, depois daquele quase toque… algo dentro dela havia sido despertado de forma irreversível.

Ela explicava a matéria.

Corrigia atividades.

Sorria para os alunos.

Mas sua mente… estava em outro lugar.

Nele.

Paulo.

O nome agora tinha peso.

Tinha.

Tinha intenção.

E isso a deixava inquieta.

Naquela tarde, ao final das aulas, enquanto organizava seus materiais, ouvi novamente aquela voz.

— Você sempre fica até esse horário?

Ela não precisou se virar para saber quem era.

O corpo reagiu antes.

O coração acelerou.

A respiração mudou.

Ela fechou os olhos por um segundo… e então se virou.

— Nem sempre… — respondeu, tentando parecer tranquilo.

Mas não estava.

Paulo estava encostado na porta.

Observando.

Como sempre.

Mas, dessa vez… havia algo diferente.

Mais decidido.

Mais direto.

— Ótimo — ele disse, dando alguns passos para dentro da sala.

Ana franziu levemente a testa.

— Ótimo por quê?

Ele parou diante dela.

Perto.

Perto demais.

— Porque eu queria falar com você… sem interrupções.

Parece que você vai ficar mais pesado.

Mais denso.

Mais íntimo.

Ana engoliu seco.

— Sobre o quê?

Paulo não se encaixa no olhar.

— Sobre nós.

O silêncio veio imediatamente.

Forte.

Desconfortável.

E impossível de ignorar.

— Não existe “nós” — ela respondeu, rápida demais.

Quase como defesa.

Mas a forma como desviou o olhar entregou tudo.

Ele inventou.

E deu um leve sorriso.

— Ainda não.

A resposta foi baixa.

Segura.

Perigosa.

Ana cruzou os braços, tentando recuperar o controle.

— Você está indo longe demais.

— Ou talvez… você esteja fingindo que não quer ir comigo.

A frase a inteiro direto.

Sem aviso.

Sem filtro.

Ela respirou fundo.

Tentando se manter firme.

— Eu não sou esse tipo de mulher.

Paulo inclinou levemente a cabeça.

Observando cada fato dela.

— Que tipo?

Ela hesitou.

E isso foi suficiente.

— O tipo que aceita convites de homens que mal conhecem.

Ele deu mais um passo.

Diminuindo ainda mais a distância.

— então me conheça.

O olhar dele era intenso.

Quase impossível de sustentar.

— Jante comigo hoje.

O Ô pedágio direto.

Sem rodeios.

Sem .

Ana sentiu o coração disparar.

— Hoje?

— Hoje.

— Eu tenho compromissos…

— Você não tem.

A segurança dele irritava.

Mas, ao mesmo tempo…

Desestabilizava.

— E mesmo que eu tivesse… você poderia cancelar.

O silêncio.

E, dessa vez…

Foi ainda mais revelador.

Porque ela não disse “não”.

Ela apenas… não respondeu.

Paulo percebeu.

E se mudou o suficiente para que sua voz saísse mais baixa.

Mais próxima.

— Eu vou te procurar.

— Paulo…

— Às oito.

Ele não deu espaço para recusa.

E, antes que ela pudesse reagir…

Ele se separou.

E saiu.

Deixando para trás um turbilhão.

Às oito da noite, Ana ainda estava parada diante do espelho.

O vestido escolhido era diferente de tudo que já tinha usado.

Elegante.

Marcante.

Perigoso.

Ela respirava fundo.

Tentando entender o que estava fazendo.

— Você pode desistir…

Mas não se moveu.

Porque, no fundo…

Não queria desistir.

Quando ouviu o som de um carro parando em frente à sua casa, o coração quase saiu do peito.

Era real.

Ela pegou a bolsa.

Respirou fundo.

E saiu.

Paulo estava do lado de fora.

Esperando.

Quando a viu…

Ficou em silêncio.

Por alguns segundos.

Ela estava… deslumbrante.

Mais do que ele imaginou.

Mais do que ele esperava.

Mais do que ele poderia ignorar.

— Você veio… — ele disse, com um leve sorriso.

Ana tentou manter a postura.

— Eu disse que iria te conhecer.

Ele estabeleceu a porta do carro.

Mas, antes que ela entre, disse:

— Não vamos de carro.

Ela franziu a testa.

— Como assim?

Ele mal quebrou a mão.

— Confia em mim.

Ana hesitou.

Mas, lentamente…

Aceitou.

Minutos depois, eles estavam diante de um jato particular.

O impacto foi imediato.

— Paulo… isso é sério demais.

Ele a reserva.

Calmo.

Seguro.

— Eu nunca faço nada pela metade.

A frase arrepiou.

Ela poderia recuar.

Deveria recuar.

Mas não todo.

Entrada.

E, naquele momento…

Sabia que não havia mais volta.

Durante o voo, o silêncio entre eles não era desconfortável.

Era carregado.

Cheio de significado.

Olhares.

Respirações.

Presença.

Ana olhou pela janela, tentando processar tudo.

— Onde estamos indo?

Paulo respondeu sem hesitar:

— Para um lugar onde ninguém vai nos interromper.

Ela virou o rosto.

— Isso não ajuda a me deixar tranquilo.

Ele de leve.

— Não quero que você fique tranquilo.

Quero que você sinta.

A frase ficou no ar.

E mexeu com ela mais do que deveria.

Quando o pouso jatou, a visão era de tirar o fôlego.

Uma imensa propriedade cercada pela natureza.

Silêncio.

Luxo.

Exclusividade.

Uma mansão imponente, isolada, iluminada suavemente.

— Meu Deus…

Paulo observou a ocorrência dela.

— Bem-vinda ao meu mundo.

Ana desceu devagar.

Absorvendo cada detalhe.

Mas não era o lugar que mais a afetava.

Era ele.

A forma como ele a observou.

Como se ela fosse parte daquele cenário.

Como se pertencesse ali.

E isso…

Era perigoso.

Muito perigoso.

Ele se.

Devagar.

Sem pressa.

— Você ainda quer ir embora?

A pergunta ‘baixo.

Quase um.

Ana espectou ao redor.

Depois… para ele.

O corpo acelerado.

A mente confusa.

E o desejo…

Mais forte do que nunca.

— Não…

A resposta veio antes que eu pudesse pensar.

E, instante…

Ela cruzou um limite.

Sem saber…

Até onde aquilo iria levá-la.

Continua… 🔥

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