Entre o Luxo eo Giz

Capítulo 8 – O Pedido Que Parou o Tempo

Ana Clara não sabia que aquela noite guardava algo ainda maior.

Depois de tudo que tinha vivido, depois da dança, do toque, da entrega… ela acreditava que já tinha sentido o máximo que seu coração era capaz de suportar.

Mas estava enganada.

Paulo estava diferente.

Mais silencioso.

Mais atento.

Como se estivesse organizando algo dentro de si.

E ela percebeu.

— Você está estranho… — disse, observando-o enquanto caminhavam pela parte externa da mansão.

Ele deu um leve sorriso.

Mas não respondeu de imediato.

Apenas contínuo caminhar ao lado dela, guiando-a por um caminho iluminado por pequenas luzes no chão, cercado pela natureza ao redor.

O cenário parecia… preparado.

Bonito demais para ser acaso.

Ana começou a sentir.

Algo diferente no ar.

Uma expectativa.

Um pressentimento.

— Paulo… o que está acontecendo?

Ele pariu.

Virou-se de frente para ela.

E, por um segundo…

Apenas.

Como se estivesse guardando aquele momento.

Como se quisesse lembrar exatamente de como ela estava ali.

Linda.

Verdadeira.

E completamente dele… naquele instante.

— Eu passei a vida inteira no controle — ele começou, com a voz mais baixa do que o normal.

Ana ficou em silêncio.

Sentindo que aquilo não era uma conversa comum.

— Sempre soube o que queria. Sempre consegui tudo que planejei.

Ele respirou fundo.

— Até você aparecer.

O coração dela apertou.

Forte.

— Você bagunçou tudo… — ele continuou, agora com um leve sorriso. — E, pela primeira vez… eu não quis voltar.

Ana sentiu os olhos marejarem.

Sem conseguir evitar.

— Paulo…

Ele deu um passo à frente.

Mais perto.

Mais íntimo.

— Eu tentei ignorar. Tentei entender. Tentei manter distância…

Ele balançou a cabeça.

— Mas não deu.

A voz dele falhou.

Algo estranho.

Algo real.

— Porque não é só desejo.

Não é só vontade.

Não é só momento.

Ele segurou as mãos dela.

Firmemente.

— É você.

O silêncio tomou conta do lugar.

Mas não era vazio.

Era cheio.

De emoção.

De verdade.

De profundidade.

Ana já não tentou mais segurar as lágrimas.

— Eu nunca senti isso… — ele continuou. — Nunca preciso de alguém desse jeito.

Nunca quis alguém desse jeito.

Ele respirou fundo.

Como se estivesse reunindo coragem.

E então…

junte-se.

Paulo soltou lentamente as mãos dela.

E, diante dela…

Se ajoelhau.

O mundo parou.

Literalmente.

Ana levou a mão à boca.

Sem acreditar.

O coração disparado.

As pernas quase sem força.

— Paulo… não…

Mas ele não pariu.

Do bolso do paletó, ele retirou uma pequena caixa.

Abriu.

E o brilho do anel refletiu a luz suave ao redor.

Mas não era o anel que importava.

Era o momento.

Era a introspecção.

Era o que ele estava dizendo… sem ainda falar.

— Eu sei que é rápido.

Sei que não faz sentido pra muita gente.

Mas, pra mim…

Faz todo.

Ele preserva o olhar.

Direto para ela.

— Porque desde o momento em que te vi… eu sabia que não era algo comum.

A voz dele agora era firme.

Mas carregado de emoção.

— Eu não quero só momentos com você.

Eu não quero só noites.

Eu não quero só intensidade.

Ele fez uma pequena pausa.

E então disse:

— Eu quero uma vida.

Com você.

Ana começou a chorar.

Sem controle.

Sem defesa.

Sem filtro.

— Eu quero acordar ao seu lado.

Quero ouvir sua voz todos os dias.

Quero fazer parte da sua rotina…

E quero que você faça parte da minha.

Ele falou levemente o anel.

— Fica comigo.

Mas não só hoje.

Não só agora.

Pra tudo.

Pra sempre.

O silêncio que veio depois foi o mais forte de todos.

Porque agora…

A prova era dela.

Ana tremia.

O coração parecia não caber no peito.

A mente tentava acompanhar…

Mas era impossível.

Porque aquilo era maior do que qualquer lógica.

Maior do que qualquer medo.

Maior que qualquer dúvida.

Ela preparou para ele.

Ajoelhado.

Esperando.

Sem controle.

Sem certezas.

Simplesmente… entregue.

E foi ali que ela entendeu.

Que não era sobre tempo.

Nem sobre regras.

Era sobre o que sentia.

E ela sentiu.

Muito.

Mais do que já tinha sentido na vida inteira.

Ana deu um pequeno passo à frente.

As lágrimas ainda escorrendo.

E, com a voz falhando…

Respondeu:

— Sim…

Paulo fechou os olhos por um segundo.

Como se envolver aquilo.

Como se precisa confirmar que era real.

— Sim… — ela repetiu, agora mais firme. — Eu fico com você.

O sorriso que surgiu no rosto dele…

Era diferente de tudo.

Era leve.

Era verdadeira.

Era feliz.

Ele se rapidamente.

Segurou o rosto dela.

E a beijou.

Sem pressa.

Sem dúvida.

Sem medo.

Agora não havia mais barreiras.

Não havia mais.

Não havia mais.

Apenas dois caminhos…

O que havia decidido se tornar um só.

Quando se afastaram, ainda próximo, ainda conectado, ele colocou o anel no dedo dela.

Com cuidado.

Como se aquele gesto carregasse mais do que isso significa.

Carregasse promessa.

E Carregava.

Ana olhou para a própria mão.

Ainda sem acreditar.

— Isso é real… — sussurrou.

Paulo.

Encostando a testa na dela.

— Agora é.

E, naquela noite…

Sob as luzes suaves, cercadas pela natureza, pela intensidade e por tudo que foi construído em tão pouco tempo…

Eles não apenas se escolheram.

Eles se prometeram.

Continua… 💍🔥

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